Deise devia, sim, ter medo da sua possessividade.
Quando uma pessoa queria ser dona da outra com tanta intensidade, era inevitável sufocá-la, roubando-lhe a liberdade.
Justo quando ele começava a recuar as mãos lentamente, preparando-se para soltá-la, foi pego de surpresa por um beijo leve feito uma pluma contra seus lábios finos.
William ficou estático.
Seus olhos se arregalaram, refletindo o rosto da garota.
Aquele rosto sorria com uma doçura fascinante e provocadora, como uma raposa cheia de encantos.
— Eu adoro a sua possessividade. Ela faz eu me sentir especial.
Ela disse sorrindo e virou o rosto para olhar os três vestidos que havia recebido.
Mas antes que pudesse abrir os zíperes das capas, o homem a agarrou de repente pelas costas.
O abraço era tão forte que parecia querer fundi-la a seu próprio corpo.
— O que eu faço...
A voz rouca e magnética raspou de forma direta nos tímpanos da moça.
— Fazendo isso, você tira toda a minha vontade de te deixar ir a esse jantar...
Os lábios quentes deslizaram rente ao pescoço e contornaram a orelha de Deise com uma lentidão provocante, cheia de sedução e apelo.
A orelha dela começou a pegar fogo na mesma hora.
Um calor que imediatamente percorreu todo o seu corpo.
Apenas roçar o rosto contra ela já não parecia suficiente.
William abriu a boca de leve e mordiscou o lóbulo da moça.
Deise teve um espasmo, tremendo como se tivesse levado um choque.
Eram só beijos em sua orelha, mas os calafrios que percorriam sua espinha faziam parecer que os dois haviam acabado de fazer amor de forma intensa.
— Já chega de me beijar, né? Minha orelha não é doce...
Já sem conseguir lidar com aquilo, precisou dar um chega para lá nele.
Por isso, ele havia selecionado as três opções do catálogo daquela loja.
O design era conservador, mas enriquecido com toques engenhosos sobre os modelos convencionais.
Um deles era um longo de duas peças, com um generoso decote em V; o tecido escuro levava algumas aplicações de cristal espalhadas pela trama, que serviam como pontos de luz deslumbrantes para finalizar a peça.
Outro vestido, num corte ombro a ombro tubinho, era totalmente branco. O comprimento na medida certa dava ares de sofisticação e passava a impressão de beleza e inteligência, tornando-o apropriado tanto para o dia a dia quanto para coquetéis.
Por fim, havia um modelo cor de champanhe, com gola alta e saia evasê; a aplicação de renda no colo era de extrema delicadeza, compondo um visual vintage.
Qualquer que fosse a escolha, Deise ficaria apaixonada pelas três alternativas.
Sem conseguir se decidir, ela fez uma brincadeira rápida de 'uni-duni-tê' e acabou escolhendo o conjunto preto de duas peças, decote em V e detalhes de cristal.
A noite caiu, trazendo as primeiras luzes da cidade.
Ao chegar ao Restaurante Luxo, ela primeiro passou no lavabo para retocar a maquiagem, antes de seguir em direção à sala privada reservada por Rafael.
Assim que pisou no cômodo, parou em choque.

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