O Sr. Leme não apenas abriu um raro sorriso diante de Deise, mas cada gesto seu denotava um profundo respeito, como se estivesse diante de uma figura de imenso poder a qual jamais deveria ofender.
— O Diretor Sequeira ainda está em meio a compromissos e não conseguiu se liberar, caso contrário, teria vindo pessoalmente. Ele pediu que eu me desculpasse formalmente em seu nome. Perdão pela hospitalidade falha e pelos inconvenientes que a senhora sofreu; esperamos a sua compreensão.
Quando viram o Sr. Leme se curvar respeitosamente perante Deise, todos ficaram boquiabertos, em completo estado de choque.
Os cantos da boca de Deise tremeram levemente, e seu sorriso tornou-se nitidamente constrangido.
Ela sabia que Fagner havia orquestrado aquilo de propósito.
Armar um espetáculo tão espalhafatoso era, claramente, uma forma de lhe dar respaldo, ajudando-a a encenar uma grande demonstração de poder.
Contudo, aquele pedido de desculpas excessivamente formal lhe soava, de fato, bastante embaraçoso.
Sara já estava paralisada de perplexidade.
Ela achava que ou o mundo havia enlouquecido, ou ela mesma estava perdendo a sanidade.
O Grupo Sequeira, o colosso da indústria farmacêutica do País X, mandando um representante para pedir desculpas em público a uma empresa estrangeira de médio porte?
E, ainda por cima, a Saúde Paiva Ltda. e o Grupo Sequeira não tinham o menor vínculo conhecido até então.
Sara simplesmente não conseguia entender.
Ainda que o Grupo Sequeira estivesse planejando usar a Saúde Paiva Ltda. para substituir a sua empresa, precisavam realmente abaixar tanto a cabeça?
Estavam falando do Grupo Sequeira!
Estavam falando de Fagner!
Exatamente quando o rosto de Sara era uma pintura de confusão e descrença, o Sr. Leme se posicionou diante dela.
— Diretora Chaves, o Diretor Sequeira ordenou que eu a informasse que, a partir deste exato momento, a senhora não é mais uma convidada do Grupo Sequeira. Além disso, cancelaremos todas as relações comerciais e futuras parcerias com a sua empresa.
Num piscar de olhos, a mente de Sara ficou completamente em branco, como se tivesse levado um soco violento na cabeça.
O que o Sr. Leme acabara de lhe dizer?
Ela não era mais uma convidada do Grupo Sequeira?
O Grupo Sequeira nunca mais fecharia negócios com a sua empresa?
Com as pernas trêmulas, Sara quase desabou de joelhos no chão.
— Não... mas por quê? Sr. Leme, pelo amor de Deus, me diga qual é o motivo disso!
Vendo que Sara não se conformava e planejava fazer uma cena, o Sr. Leme não proferiu sequer uma palavra; apenas lançou um olhar significativo para os homens atrás de si.
Após falar com o Sr. Leme, Deise voltou-se para Marcelo:
— Marcelo, agora que o check-in está pronto, vamos subir para os nossos quartos!
— Ah, s-sim... claro...
Marcelo assentiu com a cabeça, a voz engasgada.
Em uma situação como aquela, seguir a liderança de Deise era a decisão mais sensata a ser tomada.
Apenas quando o aglomerado de convidados se dispersou por completo, o Sr. Leme e seus homens se retiraram do hotel.
No papel de guarda-costas pessoal e assistente de Fagner, o Sr. Leme sempre teve a convicção de ser o homem de maior confiança do chefe.
Era o seu braço direito.
O pilar da sua guarda pessoal.
No entanto, ele não fazia a menor ideia do porquê de Fagner tratar Deise com tanta devoção.
Em uma ocasião anterior, incapaz de refrear sua curiosidade, ele havia tentado sondar Fagner de maneira sutil, perguntando sobre a natureza do relacionamento entre os dois.

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