Os olhos de Victória brilharam.
Mas foi apenas por um ínfimo instante.
Afinal, a essa altura e atrás das grades, não faria sentido alimentar qualquer centelha da esperança ingênua que nutria no passado.
Um sorriso pálido e frio delineou-se em seu rosto enquanto ela se aproximava, sentava-se e erguia o interfone.
O vidro blindado separava os dois, erguendo-se como um verdadeiro abismo entre suas existências.
Do outro lado, Palmiro também segurou o aparelho, hesitando em falar.
A figura do outro lado do vidro estava muito mais definhada e desgastada do que em suas lembranças, embora isso não o comovesse em nada.
Ele apenas não sabia por onde começar. Estava formulando as palavras em sua mente.
— Victória...
Assim que a chamou, transpareceu hesitação e seu olhar vagava incerto.
— Então... Como têm sido as coisas para você?
Diante de tamanha inépcia, Victória soltou uma risada ruidosa.
— Você está vendo que eu fui parar na cadeia. Como eu poderia estar bem? Você acreditaria se eu dissesse que estou vivendo um sonho?
Ciente de que a pergunta fora um convite ao sarcasmo, Palmiro contraiu os lábios.
A questão também não viera de um real instinto de compaixão.
Para ser mais exato, no fundo ele nutria um ódio velado por ela até o momento atual.
Afinal, se Victória não o tivesse seduzido e cercado, ele jamais teria traído a esposa. Jamais teria sido desmascarado por Deise, tampouco teria visto seus negócios falirem, arrastando o legado da Família Marques para a completa miséria de hoje.
O gelo havia sido quebrado do pior jeito possível. Sem paciência, Palmiro foi direto ao ponto:
— Victória, eu preciso de uma resposta sua...

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