— Irmãzinha, eu sou o tipo de pessoa que, desde criança, nunca teve um presente recusado... Se você não aceitar, serei obrigado a arranjar confusão na boate da sua amiga.
Xavier Viana proferiu essas palavras com extrema leveza e tranquilidade.
Se o remetente fosse outra pessoa, Deise Paiva poderia até achar que era apenas uma piada.
No entanto...
Aquele rapaz de cabelos brancos e rosto juvenil a impedia de encarar a ameaça como brincadeira.
Ela ainda se lembrava muito bem da impressão de perigo que Xavier Viana deixara em seu primeiro encontro, bem como de suas atitudes controladoras, sem o menor limite ou educação.
Ela mergulhou num breve silêncio e então moveu seus lábios delicados.
— ...Está bem, eu aceito.
Do outro lado da linha, Xavier Viana deu uma risada sutil, como se sentisse um alívio.
— Obrigado, irmãzinha. Eu sabia que você me daria uma chance de conquistá-la.
A última palavra sequer havia saído quando Deise Paiva encerrou a chamada.
Ouvindo o tom de ocupado bipar na linha, Xavier Viana, segurando o bocal com dois dedos, deu um riso zombeteiro e o colocou de volta no gancho.
À sua frente, Susana Guerra exibia uma expressão tensa e carrancuda.
O olhar de Susana Guerra para ele transbordava cautela...
E também medo.
Naquele exato momento, não havia mais ninguém em sua boate.
Com exceção dos funcionários, o único cliente presente era Xavier Viana.
Além de...
Um bando de capangas.
Susana Guerra rangeu os dentes, escondendo a raiva.
Ela foi forçada pela situação e não teve escolha a não ser revelar o número de telefone de Deise Paiva para Xavier Viana.
Xavier Viana não era um cliente habitual.
Tinha começado a frequentar o local há poucos dias. Vinha quase sempre, e gastava grandes somas de dinheiro generosamente.
No início, ela imaginou que tivesse tido a sorte de atrair um novo cliente endinheirado.
Mas, naquele dia em que Xavier Viana a bloqueou junto de Deise Paiva, ficou evidente que ele possuía más intenções em relação à sua amiga.
Alguns deles não sabiam a verdadeira identidade de William Branco, mas tinham conhecimento de que ele era o namorado de Deise.
Isto é, ela acabara de receber joias caríssimas de outro homem, não só sob os olhares do público em geral, mas também diante do próprio namorado.
— O que é isso? Traição a céu aberto?
— Seria isso algum tipo de anúncio de término?
— Que coragem! Essa é a Diretora da Saúde Paiva Ltda.
Os espectadores fofocavam aos sussurros e cochichos.
Seus olhares não tardaram a desviar-se de Deise Paiva, fixando-se em William Branco.
William Branco mantinha-se como de costume, com o rosto austero, esbanjando uma tranquilidade de quem permaneceria impávido até mesmo se uma montanha desabasse diante de si.
No entanto, Adam Branco, que estava ao seu lado, não conseguia aguentar.
— Irmão, qual é a daquelas joias? Não foi você quem mandou, então por que a cunhada aceitou?
Vendo William permanecer calado, Adam Branco esfregou as mãos impacientemente, preparando-se para a ação.
— Que desgraçado ousa cobiçar minha cunhada? Vou dar uma surra nele até arrancar todos os dentes!

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