No momento em que Adam Branco caminhou furiosamente até Deise Paiva, pronto para arrancar todas aquelas joias e presentes de suas mãos, ela subitamente se levantou.
Adam estacou. Deise, abraçada às caixas, passou direto por ele, sem sequer dirigir-lhe um olhar.
— Mas hein? Cunh...
Ele quase deixou o termo escapar mais uma vez e deu um tapa na própria boca.
Àquela altura, Deise Paiva já tinha chegado diante de William Branco, e sussurrou-lhe algo que ninguém pôde ouvir.
Como resultado, os dois deixaram o local sem sequer se despedirem dele.
Com aquilo, Adam Branco perdeu todo o ânimo de continuar as socializações.
Originalmente, com o estrondoso sucesso do Antigripal de Efeito Especial, o seu propósito de organizar aquele banquete era estreitar os laços entre Deise Paiva e a Bio Universo.
Até mesmo novos projetos de parceria haviam sido preparados de antemão.
Além disso, seu irmão amava Deise Paiva tão intensamente que uma união em casamento entre a Família Branco e a Família Paiva seria apenas uma questão de tempo.
Portanto, vincular a Bio Universo e a Saúde Paiva Ltda. por meio de relações comerciais naquela fase era uma fundação para o futuro.
Tal qual havia sido, no passado, com a Saúde Paiva Ltda. e o Grupo Farmacêutico Marques.
Entretanto, nessa vinculação de interesses entre a Família Paiva e a Família Marques, a Família Paiva acabara saindo no prejuízo, sendo o pilar que sustentava a relação.
Porém, com a Bio Universo, era diferente.
A Bio Universo, e a Família Branco por trás dela, eram indubitavelmente maiores que a Saúde Paiva Ltda.
Fosse pela questão emocional ou dos negócios, atar a Saúde Paiva à Bio Universo como uma parceira de longo prazo não trazia senão vantagens.
Na visão de Adam Branco, sendo Deise Paiva tão inteligente, mesmo que não soubesse o nível de envolvimento entre William e a Bio Universo, após aquela experiência tão satisfatória, seria mais que normal ela decidir firmar mais e mais parcerias.
No entanto...
A atitude de Deise Paiva para com ele estava muito bizarra.
Adam Branco tinha certeza de que não era apenas impressão sua.
Para além disso, Deise era uma figura polida e uma executiva extremamente decente; como pôde deixar a festa e sair assim, sem dirigir uma única palavra a ele, o organizador?
Nos dias normais, era óbvio que os rapazes jamais discordariam de acompanhá-lo.
Afinal, lucrariam com aquilo.
Mas, naquela noite, Xavier Viana portava-se como um pervertido. Mesmo com a oferta de excelentes pagamentos, o simples ato de manusear uma faca naquelas condições causou pavor absoluto aos dois modelos; o receio de que o cliente decidisse que a melhor opção fosse esfaquear uma coxa — fosse devido a fúria ou prazer — se sobressaiu de maneira descomunal.
— Senhor Viana, minha boate vai fechar. Peço a gentileza de se retirar.
Ao ouvi-la de supetão, Xavier Viana examinou o próprio relógio de pulso.
— Fechando antes de bater meia-noite? A partir de quando as boates passaram a fechar tão cedo?
Susana Guerra suspirou fundo, avançando em sua direção.
— Essa casa noturna é minha, e fecho ela na hora que quiser. Ou o quê, o Senhor Viana agora tem intenção de demolir meu patrimônio? Juro que, se fizer, não tem como conquistar a Deise por toda a eternidade.
Mal as palavras de Susana saíram, ela assistiu Xavier Viana às gargalhadas, contorcendo o corpo em meio ao riso.
— Quem disse que eu quero conquistá-la?

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