Os olhares de todos, tanto no palco quanto na plateia, voltaram-se instantaneamente para Deise.
O sorriso no rosto de Marta Valente congelou.
— O que você está dizendo?
Marta arregalou os olhos, encarando Deise em tom de desafio.
— Como assim não há necessidade de dar notas? Todo mundo amou a minha sopa, estão todos me elogiando!
Deise olhou para Marta, que estava com o rosto vermelho e as veias do pescoço saltadas, e soltou um riso leve.
— Por que tanto desespero? Eu só disse que não precisa de nota e você já entra em pânico!
— Q-quem disse que estou em pânico?
Quanto mais Marta tentava se justificar, mais transparecia o seu nervosismo.
Deise mal havia falado nada, e a mulher já estava suando em bicas.
— Deise, o que está acontecendo? Por que você diz que o prato da Marta não merece nota?
Palmiro inclinou-se na direção de Deise e perguntou em voz baixa.
Sem olhar para ele, Deise manteve o olhar fixo para a frente e explicou:
— Porque este ensopado de carne de carneiro, embora feito com ingredientes perfeitamente legais e não tóxicos, teve sua ordem de cocção manipulada para causar uma excitação neurológica contínua.
Diante das palavras calmas e serenas de Deise, a expressão de Marta mudou.
Já não era mais pânico.
Era puro terror.
Deise levantou-se, caminhou até a bancada de Marta e apontou para a panela que ainda fervia.


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