— Mas eu só gosto da comida que você faz. Nenhum chef se compara às suas habilidades.
Assim que William terminou o elogio, Deise lhe fez um gesto de "pare".
— Pode parar por aí!
Deise retorceu os lábios num sorriso irônico.
— Não pense que pode me reconquistar com uns elogios baratos, eu não me rendo tão fácil assim.
— Não foi o que eu quis dizer.
William logo balançou a cabeça.
— Não estou aqui para pedir que voltemos.
Assim que a frase foi dita, William notou que o rosto de Deise pareceu ser varrido por uma tempestade, mostrando-se ainda mais irritada que antes.
— Ah, então você não veio pedir para voltarmos...
Deise cruzou os braços sobre o peito, os lábios apertados de puro desgosto.
— Então me explique: você deixa de viver na mansão da Família Branco para vir parar num condomínio no fim do mundo como este, e ainda escolhe a dedo o apartamento inacabado ao lado do meu... e para quê?
Acorrentado pelas cobranças de Deise, William deu um passo para trás por instinto.
Ele via a raiva no rosto dela e a insatisfação em seus olhos.
Mas não sabia qual seria a melhor forma de se explicar.
No fundo, ele não acreditava que eles haviam terminado.
O término unilateral de Deise aconteceu porque ele escondeu sua identidade como líder da Bio Universo e, a julgar pela reação dela, ele via que ela já sabia que o projeto de pesquisa que resultou na morte de sua mãe havia sido financiado pela Bio Universo.
Mais do que pedir uma reconciliação, William queria esclarecer os fatos e desfazer o nó no coração de Deise.
E no seu próprio também.
Entretanto, sempre que tentava explicar, Deise o impedia.
Isso o fez perceber que, no momento, ela não queria discutir aquele assunto a fundo.
Talvez por envolver a morte da própria mãe, Deise buscasse fugir disso instintivamente.
Talvez Deise preferisse esperar que seus sentimentos se acalmassem antes de ouvi-lo.
Ou talvez...

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