— Não, eu vou ajudar você a investigar e cobrar quem fez isso, se for verdade...
Nas duas semanas seguintes, Deise frequentou a sede da Bio Universo com bastante assiduidade.
Adam Branco, no início, temeu que após o término com William, Deise cortaria por completo qualquer relação comercial com a Bio Universo.
No entanto, o único ato extremo de Deise havia sido romper com William fazendo um grande alarde; tirando isso, não fez mais nada.
A parceria sobre os medicamentos para o controle de glicemia seguia firme e já caminhava para a conclusão.
Várias vezes, Adam considerou usar as reuniões de trabalho para dizer algumas boas palavras em defesa de William.
Mas sempre que estava prestes a falar, engolia as palavras.
Ele tinha medo de que o feitiço virasse contra o feiticeiro.
Além disso, se as suas informações fossem precisas, seu irmão agora estava vivendo no apartamento recém-alugado de Deise.
Para os outros, o pretexto era estar de licença para tratar das lesões; aos seus olhos, o verdadeiro motivo era manter-se próximo, inventando qualquer desculpa para se reconectar afetivamente com Deise.
Até então, Adam ainda não tinha certeza se Deise estava ciente de que a pesquisa realizada pela mãe dela quatro anos atrás tinha sido um projeto da Bio Universo.
Se aquela pesquisa não tivesse ligação alguma com a morte da mãe de Deise, ele sentia que reconquistá-la era apenas uma questão de tempo para William.
Porém, e se tivesse alguma ligação?
Apesar de serem os problemas amorosos de William, Adam já vinha tendo pesadelos há mais de uma semana seguida, indo todos os dias para a empresa com grandes olheiras.
Recentemente, ele havia notado um detalhe.
Toda vez que Deise vinha para as reuniões da empresa, procurava encontrar-se com Nilda Pinto.
As duas não só conversavam alegremente com frequência, mas também almoçavam e jantavam juntas.
Em um horário de almoço, Adam chegou a flagrá-las caminhando de braços dados por um shopping center.
Ele sempre confiara em sua cunhada.
Mas de forma alguma confiava em Nilda Pinto.
Como diz o ditado: quem com lobos anda, a uivar aprende.
Como Deise andava o tempo todo com Nilda, Adam temia muito que ela fosse corrompida por essa má influência.
Obviamente, ele havia contado isso para William, que preferiu se manter em silêncio.
Àquela hora, o edifício não tinha ninguém além dos seguranças; todos das grandes e pequenas empresas já haviam encerrado o expediente.
Nilda levou Deise diretamente ao heliporto no terraço.
Do alto do heliporto, parecia que as estrelas do céu noturno estavam ao alcance das mãos.
Um frio cortante dominava as alturas.
O vento uivava, despenteando os cabelos longos de Deise e balançando com força a bainha do vestido de Nilda.
— Diretora Paiva, sabe por que eu a trouxe aqui?
Nilda segurou a saia com uma das mãos e perguntou a Deise com um semblante muito sério.
Deise parecia bem mais relaxada, despreocupada com o cabelo sendo agitado pelo vento.
Respirou fundo primeiro, como se o ar lá no alto fosse mais puro.
Só depois disso, ela respondeu com tranquilidade a Nilda:
— Você quer conspirar comigo e formar uma aliança para nos vingarmos da Família Branco da Bio Universo, certo?

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