Segunda-feira, Loui foi trabalhar, como era o esperado. Ele não se sentia bem, porém, ele tinha obrigações e, como todas as pessoas, ele precisava engolir as frustrações e problemas internos e ir trabalhar.
Na empresa, ele estava aéreo. De vez em quando, se via perdido em pensamentos, mas ainda bem que ele podia ficar no escritório de Damian, onde ninguém o perturbaria ou o pegaria de surpresa enquanto ele ia para o mundo da Lua.
Damian, claro, deu uma escapulida para pegar o telefone e ligar e saber se estava tudo bem. Perguntou diretamente de alguns projetos e Loui respondeu sobre todos.
— Tá tudo bem?
— Sim. Só… acho que preciso descansar um pouco. — Loui falou sinceramente. Ainda que não tivesse muito o que fazer em casa, ainda mais com Emma trabalhando, ele não queria ficar ali no mundo corporativo, porque isso o lembrava de Devin Blackburn, bem como dos Mullen.
— Quando eu voltar, você tira umas férias, ok?
— Sim, senhor. Aproveite!
— Valeu! Tô aproveitando e muito!
Damian desligou o telefone e Loui sorriu sozinho. Ao menos nem todos estavam com os pés enfiados na merda.
Pela hora do almoço, Emma avisou que teve alguns contratempos e não poderia estar com Loui.
— Tudo bem. Passo pra te buscar?
— Sim, senhor! — Emma respondeu, soltando uma risadinha. Ela enviou beijos. — Te amo!
Ela desligou imediatamente e ele foi cortado, quando respondia a ela.
— Te amo, também. — Loui respondeu sozinho.
Enquanto procurava algo para comer no delivery, o telefone dele tocou.
— Loui Jarvis.
— Filho? — a voz da mulher, novamente. Dessa vez, Loui sentiu algo diferente ao ouví-la. Ela estava cheia de incerteza, falava baixinho, como se estivesse ligando escondida. — Loui?
— Oi. — Ele respondeu, sem jeito.
Ele a ouviu soltar o ar junto com uma risada curtinha, como se estivesse emocionada. Apesar de não ouvir uma palavra ser dita, Loui podia ouvir ela tentando. Isso levou alguns segundos.
— Podemos almoçar?
O que ele deveria dizer?
Durante a vida, ele ouviu que era apenas uma porcaria. Nascido no lixo, e que morreria no lixo. Quando ele quis continuar os estudos e finalizar o Ensino Médio, Eurico desaprovou, e as pessoas em volta dele — exceto as que realmente importavam — diziam que ele queria ser mais do que os outros. Quem ele pensava que era?
Quando foi fazer faculdade, com uma bolsa, penou para dar conta dos estudos e de pagar a própria comida. Ele pensava em poder ajudar a mãe, a avó, e, depois, o irmão recém-nascido. Porém, justamente por estar longe ele não pode proteger a família.
No fim, ele se viu preso a Eurico, com a culpa de ter abandonado a todos para viver os próprios sonhos. Apesar do que Devin disse, que Eurico fingia ter sentimentos por Madelyn, Loui podia afirmar que ele não era indiferente a ela. A maltratou, porém, quando ela se foi, foi como se uma parte de Eurico tivesse ido junto e foi quando ele desandou de vez.
A mão quente de Laylah o trouxe de volta à realidade.
— Vamos comer, querido? Você tem que voltar para o trabalho, não é?
— Ah, sim.
Ela sorriu e pegou o cardápio. Loui não conseguia prestar atenção. Ele não costumava comer ali, não conhecia o cardápio. Aquilo era mais uma lanchonete arrumada do que um restaurante, de verdade.
— Como é o seu trabalho? Você gosta? — Laylah estava tentando criar conversa.
— É bom. Meu patrão é bom para mim. — Loui respondeu.
— E… Devin me contou do seu casamento. Parabéns! — ela falou animada, porém, ao ver que Loui não sorria, ela foi murchando. — Problemas com a sua esposa?

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