༺ Amara Wild ༻
A surpresa nos olhos dos três irmãos era palpável, e os olhares que trocavam entre si, claramente sem saber o que pensar. A tensão no ambiente crescia, eu me sinto como um animal encurralado, sendo examinado por esses três.
Luca, ainda incrédulo, olhou para Domenico, como se procurasse uma explicação.
— Não... é impossível! Essa garota... e a mesma mendiga? — Ele disse, com desdém, ainda sem acreditar no que via. — Isso é uma piada, não é?
Os olhos de Domenico se estreitaram, mas ele apenas deu uma risada sarcástica.
— Vocês pensam que eu teria todo o trabalho de hospital, dentista, spa, salão de beleza, shopping e lojas para pregar uma peça? — Ele respondeu, sua voz carregada de ironia. — Porque acham que fiquei fora o dia todo?
Estou ainda em silêncio, me sentia esmagada pela humilhação que era ouvir essas palavras, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim começava a se agitar, a não aceitar mais ser tratada dessa forma.
Luca, como se não estivesse satisfeito, manteve o olhar de desprezo fixado em mim, sem nem tentar esconder sua repulsa.
— Impossível! Não é possível que essa mulher seja aquela mendiga suja e fedida, não é , a mesma pessoa! — Ele exclamou, com ironia, claramente tentando rebaixar-me ainda mais.
Eu não ficarei mais calada. Levantei a cabeça, tentando manter a postura, e respondi com firmeza, deixando a indignação transparecer em minha voz.
— Olha, não vou aceitar ser tratada desse jeito. — Minha voz saiu mais forte do que imaginei, e meus olhos queimavam de raiva. — Não sou nada disso. Sempre tomei banho apesar de morar na rua e me cuidava muito bem.
Enzo, o mais calado até então, soltou uma gargalhada, como se achasse graça da minha ousadia.
— Olha só ela fala! — Ele riu, fazendo uma pausa antes de se aproximar de mim, com o olhar de predador. — Uma mulher ousada, hein?
Ele fez uma pausa, como se estivesse se divertindo com o cenário. No entanto, quem realmente avançou em minha direção foi Luca se aproximou com um olhar determinado, e, antes que eu pudesse me afastar, agarrou meu pescoço com uma força inesperada,
segurando-me de forma intimidadora. Fiquei paralisada por um momento, não sabendo se sentia medo ou algo mais. Lucas me encarou de uma maneira que fez meu coração acelerar, como se estivesse analisando cada pedaço de mim.
— Uma das coisas no contrato — Luca disse, a voz baixa, mas cheia de ameaça — É que você seja submissa. Se você responder qualquer um de nós com ousadia, vai receber o castigo merecido, em quatro paredes. Vamos ver se você tem coragem de falar mais alguma coisa ainda.
Estremeci. Não consegui esconder o medo que subiu como uma onda, porém algo dentro de mim não cederia. Não depois de tudo o que já tinha enfrentado. Enzo ainda me olhava, com aquele sorriso torto e desafiador.
Domenico observava a cena com calma, mas seus olhos estavam atentos, como se estivesse esperando para ver como eu reagiria.
Ele não dizia uma palavra, porém, a tensão entre todos nós parecia ficar mais densa, como se o ambiente estivesse prestes a explodir.
O silêncio se arrastava, meu corpo treme de raiva, mas também há uma força crescente dentro de mim. Não importava o quanto eles tentassem me intimidar e me humilhar. Não importava o que dissessem ou fizessem. Eu não ia ceder tão fácil. Eles não me quebraria.
Domenico finalmente quebrou o silêncio, um sorriso quase imperceptível curvando seus lábios.
— Já chega, Luca. — Disse ele, sua voz era fria e controlada, mas havia algo nela que fez Luca soltar meu pescoço imediatamente.
Respirei fundo, tentando retomar o controle de mim mesma. Domenico olhou para mim, mas seu olhar não era de reprovação. Havia uma calma no jeito dele, como se estivesse esperando para ver o quanto iria resistir.
Eu me senti desconcertada, imersa em um mar de emoções conflitantes, entre o medo e a raiva, mas percebo que esse era apenas o começo. Não estava mais disposta a me esconder ou ser tratada como algo inferior. Tenho que mostrar quem realmente era.
Domenico retirou uma pasta de couro preta de dentro de sua bolsa e abriu sobre a mesa, puxando de dentro alguns papéis cuidadosamente organizados.
— Não é bem assim. Sempre dividimos tudo entre nós. Por que agora tem que ser diferente? — Ele respondeu, a voz baixa, mas carregada de um tom de desafio.
Olhou para os outros dois, como se estivesse tentando entender por que as regras haviam mudado.
Domenico manteve o olhar firme, sua postura relaxada, mas a tensão no ambiente era evidente. Ele não parecia disposto a recuar.
— Porque, se vocês não quiserem... então ela pode ser só minha. — Respondeu, olhando tanto para Luca quanto para os outros dois irmãos com um olhar desafiador. — Eu a trago aqui, tomo todo o cuidado de arrumar as coisas e checar a saúde e gasto com SPA , salão de beleza, e vocês preferem continuar observando-a como se fosse apenas uma mendiga?
Houve um momento de silêncio absoluto enquanto as palavras de Domenico pairavam no ar. Me vejo como uma peça de xadrez, sendo disputada sem que minha opinião importasse, sem que eu tivesse qualquer controle sobre minha própria vida.
O desconforto aumenta a cada palavra que saia de seus lábios, mas não era só o desconforto. Eu também sentia uma raiva crescente. Estava sendo observada, e estudada, como se não fosse mais que uma simples mercadoria.
Eles não queriam ouvir o que tenho a dizer, eles queriam apenas decidir o que fazer comigo, como se meu consentimento não fosse necessário.
E era isso que sentia: eles olhavam para mim como um objeto. Não havia espaço para minha voz, para minha opinião. Tudo o que eu fosse, ou quisesse ser, era irrelevante. O que importava era o que eles decidiam.
Continuei a observá-los, mas uma raiva silenciosa foi tomando conta de mim. Eles poderiam fazer o que quisessem, porém não seria tão submissa a esse jogo de poder. Não importava o quanto tentassem me rebaixar.
Posso ter vendido meu corpo para esse contrato maldito. No entanto, eles também entenderiam que sou uma pessoa que merece respeito. Observo Domenico esperando a resposta dos tres que não falam uma palavra.
Começo a me questionar se fiz a coisa certa em aceitar esse contrato ou melhor humilhação. Porém, o que posso fazer? Já havia assinado essa merda e não tem mais volta suspirei e pensei.
“ São apenas dois anos Amara você sobrevive. Já passou por coisa pior. ”

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