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Dominada Pelos Irmãos Beltron romance Capítulo 3

༺ Amara Wild ༻

Após comer o que restava da refeição, eu e Cal começamos a caminhar pelo centro da cidade.

O objetivo era o mesmo de sempre: tentar conseguir umas esmolas ou, com sorte, ajudar algum comerciante local e ganhar uns trocados.

Esse tipo de trabalho era raro, mas, com o inverno chegando, qualquer moeda era uma vitória. Estamos passando por uma das ruas mais movimentadas quando o avistei de longe: Romildo.

Esse cara era um dos encrenqueiros que também vivia na rua, e ultimamente ele não parava de me perseguir desde que voltei para essa área. A cada vez que o via, sentia um frio na espinha.

Romildo me viu e se aproximou com aquele sorriso malicioso que me causava náuseas. Continuei andando ao lado de Cal, focando em ignorar o miserável, mas ele veio direto em minha direção e, sem cerimônia, segurou meu braço.

— Ei, princesinha, por que sempre me ignora? Só quero conversar — disse, com esse tom de voz insuportável. — Aliás, acho você bem bonita.

Tentei soltar meu braço, mas ele apertou ainda mais. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Cal entrou na conversa, encarando Romildo.

— Deixa ela em paz, Romildo. Não percebe que ela não quer nada com você? Solte-a…

Ele virou-se para Cal com um olhar de desprezo, como se estivesse apenas esperando uma desculpa para arranjar briga.

— Ah, olha só… O velhote intrometido falando de novo. Quem te perguntou, hein? É melhor não se meter, senão quem sai daqui machucado é você — respondeu ele, com desdém.

Odiava esse homem nojento. Duas vezes ele já tinha tentado se aproveitar de mim, mas, por sorte, consegui me defender e escapar. Só de olhar para ele, sinto uma mistura de raiva e nojo.

No entanto, antes que Romildo pudesse continuar com seus comentários nojentos, um policial que passava por ali, alguém que já tinha visto minha cara outras vezes, se aproximou. O oficial lançou um olhar sério para Romildo.

— Romildo, some daqui. E se eu souber que anda arrumando confusão, vou te deixar uns bons-dias na cela da delegacia. Está me ouvindo? — o policial disse, com autoridade.

Ele me soltou na hora e tentou disfarçar, fingindo uma postura inocente.

— Que isso, oficial? Só estava conversando com a moça…

— Some. Agora — o policial repetiu, sem dar espaço para conversa.

Romildo recuou, soltando um suspiro irritado e se afastou sem olhar para trás. Assim que ele sumiu da vista, o policial se virou para mim, analisando meu rosto com uma expressão de preocupação.

— Está tudo bem, Amara?

Respirei fundo, ainda sentindo o braço meio dolorido, onde Romildo tinha me segurado.

— Sim, estou… Obrigada por isso — respondi, um pouco sem jeito.

O policial assentiu, dando um leve sorriso.

— Qualquer coisa, você sabe onde me encontrar. Se ele aparecer de novo, não hesite em procurar ajuda.

Agradeci mais uma vez enquanto o policial se afastava, e Cal me deu um tapinha reconfortante no ombro.

— Esse Romildo nunca vai tomar jeito… — Cal murmurou, balançando a cabeça.

— Pois é, mas penso que ele sabe que não pode se meter com todo mundo. — Dei um sorriso de alívio ao ver aquele crápula longe de mim.

Por enquanto, estamos seguros.

Depois de algumas horas andando pela cidade, eu e Cal conseguimos um pequeno trabalho auxiliando o dono de um restaurante.

A tarefa era simples: carregar algumas caixas de verduras e outras coisas para dentro. No final, ele nos pagou com uma marmita generosa e alguns trocados. Era uma sorte, pois fazia tempo desde nossa última refeição decente.

Enquanto caminhamos de volta para o prédio abandonado onde costumamos passar as noites, eu me preparava mentalmente para mais uma noite fria.

Chegamos ao lugar e eu entrei procurando minha mochila, que sempre escondia em um monte de lixo no canto para ninguém pegar. Tirei algumas das novas roupas que peguei na doação e as guardei ali. Sabendo que o frio só ia piorar.

Cal estava do lado de fora, sentado embaixo de uma árvore que ficava perto da entrada. Quando me viu, ele suspirou, visivelmente preocupado.

— Esse frio só vai piorar, Amara. Quando o inverno de verdade chegar, será ainda mais difícil aguentar na rua — comentou ele, puxando seu casaco fino para cobrir mais o peito.

Capítulo 03 1

Capítulo 03 2

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