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Dominada Pelos Irmãos Beltron romance Capítulo 6

༺ Amara Wild ༻

Estou deitada na cama do pequeno quarto de hotel, a sensação de calor contrastando com o peso das escolhas que pesavam sobre mim. Cal estava sentado na cadeira ao lado, ainda me olhando com aquela expressão de preocupação e, ao mesmo tempo, desconforto.

Ele não parecia entender totalmente o que estava se passando em minha mente, mas eu sabia que ele estava tentando. Como meu amigo, ele me conhecia bem demais.

— Você vai mesmo aceitar uma proposta dessas? — ele perguntou, como se fosse a coisa mais absurda que já tivesse ouvido. — Ser mulher de quatro homens maníacos e ricos? Sabe que não precisa fazer isso, Amara. Sei que vivemos na rua, porém podemos dar jeito de nos virar como sempre.

Suspirei, virando o rosto para encará-lo. Ele me conhecia mesmo bem o suficiente para saber que eu não sou de aceitar coisas assim de forma simples.

Mas, a essa altura, a vida já havia me empurrado para um beco sem saída, e essa proposta, por mais absurda que fosse, parecia uma saída, um escape da rua, a chance de algo diferente.

— Também penso ser um absurdo — respondi, balançando a cabeça em descrença. — O mais velho, então… Ele ofereceu uma casa, uma quantia em dinheiro… E quem sabe mais. A verdade é que, a essa altura do campeonato, orgulho é uma coisa que estou bem longe de ter. Eu só quero sair das ruas, Cal. Quero uma vida melhor… E talvez ele possa me oferecer isso.

Cal me olhou surpreso, seus olhos demonstrando uma dúvida crescente.

— Então ele ofereceu uma casa? — perguntou ele, ainda não acreditando totalmente. — E você está considerando isso? Sério?

— Sim, ele ofereceu. — Dei de ombros, tentando disfarçar o quanto a ideia ainda me repugnava. — Mas a ideia de ter que ficar com os quatro… Isso, sim, é uma vergonha. Nunca pensei que chegaria a esse ponto. Seria muito mais fácil ficar com um, mas não, ele quer me dividir entre os três. Como se eu fosse… Sei lá, algum tipo de… mercadoria.

Cal se levantou da cadeira, caminhando até a janela do quarto, observando a movimentação da rua abaixo. Ele parecia profundo em seus pensamentos, mas estava claramente tentando entender minha posição.

— Bom, você tem tempo para pensar. — Ele disse finalmente, virando-se para me olhar. — Não precisa decidir agora. Acho que você só deve fazer o que o seu coração mandar, Amara. Não o que os outros querem ou o que a situação pede. O que realmente importa é o que você quer para a sua vida.

Me ajeitei na cama, buscando um pouco de conforto, mas a verdade é que nem o cobertor quente que me envolvia conseguia me aquecer o suficiente para afastar o frio que apertava o meu peito.

A ideia de ter que fazer isso ainda me enojava. Mas, por outro lado, a casa, o dinheiro, a promessa de uma vida mais segura… Era tentador demais.

— Sei que você está certo, Cal. — murmurei, fechando os olhos. — Mas não sei mais o que fazer. O que mais posso esperar? Aqui na rua, não há escolhas. Só… sobreviver. Se isso é o preço para sair daqui, então eu… talvez tenha que pagar.

Ele ficou em silêncio por um momento, e sabia que ele compreendia o quanto aquilo me feria. Cal também percebe que, por mais que tentasse, não poderia me tirar desse caminho.

Estava tão enredada nas dificuldades da vida que qualquer proposta que me tirasse desse poço de miséria parecia válida. Mas o orgulho? Ah, o orgulho ainda lutava dentro de mim, mesmo que de forma débil.

— Se você acredita que é o melhor para você… — ele finalmente disse, a voz suave. — Vou estar ao seu lado, sempre. Mas, lembra… seu coração sabe o que é melhor. Não se force a fazer algo que não quer devido a uma proposta. Só porque ele tem dinheiro, poder e uma casa… Isso não significa que seja o certo.

Me aninhei ainda mais no cobertor, fechando os olhos, mas o dilema continuava. Eu precisava de uma nova vida, algo que me tirasse dessa rotina miserável. Mas a que custo?

E, enquanto a escuridão do quarto tomava conta, me sentia perdida entre o que queria e o que parecia ser a única opção que restava.

Pela manhã desci para a recepção do hotel com Cal, ainda meio sonolenta, mas com uma sensação estranha de conforto.

Fazia tanto tempo que eu não dormia tão bem e confortavelmente, que me surpreendi por estar realmente descansada. A cama, por mais simples que fosse, foi um luxo comparado ao chão das ruas.

Capítulo 06 1

Capítulo 06 2

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