༺ Domenico Beltron ༻
O carro desliza pelas ruas de Nova Jersey, o som do motor suave ao fundo. Me encosto no banco de couro, observando pela janela, enquanto a cidade vai ficando para trás.
Meu motorista dirige com a calma e precisão que sempre demonstra, mas minha mente está distante, voltada para Amara.
Ela não sai dos meus pensamentos desde o momento em que a vi.
Essa garota… ela é diferente de todas as outras. Inocente, mas com uma rebeldia nos olhos que me fascina.
Meus irmãos, Luca, Enzo e Pietro, não entendem. Eles não veem o que eu vejo. Para eles, ela é só uma mendiga, alguém que vive nas ruas, suja e sem valor.
Mas posso ver mais do que isso. Percebo, sob toda aquela sujeira e miséria, há uma beleza rara, algo que nenhum deles pode nota. Os olhos dela, aqueles olhos cor de mel, eles guardam um segredo que só eu posso ver.
Notava que o que estou fazendo é arriscado. Propor algo a uma mulher que vive nas ruas pode parecer loucura para qualquer um, mas não para mim. Eu não sou um homem que toma decisões baseadas em convenções sociais ou lógica.
Faço o que sinto que devo fazer. E senti, naquele momento, algo que nunca experimentei antes. Ela mexeu comigo de uma forma que nenhuma mulher nunca fez.
Serena? Não mais. Já tirei ela da minha cabeça. Depois que me traiu ao me trocar por outro, eu não tenho mais paciência para os jogos dela.
Amara, por outro lado, é uma aposta mais interessante. Talvez seja uma loucura, ou somente o desejo de um brinquedo novo que ainda não tenha conquistado.
No entanto, há uma coisa em Amara que quero que ninguém mais possa ter, que só eu posso dar a ela, e só ela pode aceitar.
Olhei para o motorista, porém, minha mente continua voltada para ela. Meus irmãos ainda não sabem o que está por vir. Eles julgam Amara, contudo não sabem quem ela realmente é.
Eu sei. Vi o que ela pode ser. A transformação que vai passar, tenho certeza de que será a chave para algo muito maior. Para mim. Para nós.
Chegando à mansão dos Beltron. O motorista estaciona o carro com a habilidade de sempre, e o som do motor se apaga. Olho pela janela, mas nem a grandiosidade da mansão consegue me distrair agora.
Penso que Amara está lá fora, talvez pensando no que fazer, talvez já tenha tomado sua decisão. Mas, no final, ela não terá escolha.
Ela vai entender que o que estou oferecendo é mais do que uma simples proposta. Posso mudar a vida dela. E ela vai perceber que ser parte do meu mundo, do mundo dos Beltron, é a única escolha que vale a pena.
Saio do carro e sigo para a entrada da mansão, mas minha mente continua longe. Lá fora, Amara está prestes a decidir o que vai mudar tudo. E eu… bem, vou esperar. Ela vem até mim, por conta própria.
Sou Domenico Beltron, e paciência é uma das minhas virtudes. Ela vai aprender isso da maneira mais difícil.
Entro na mansão e o som dos meus passos ecoa pelos corredores vazios. O silêncio é interrompido somente pela suave melodia que vem da biblioteca.
Lá, no sofá, Luca está imerso em um livro. Ele levanta os olhos quando me vê entrar, e já não posso evitar o sorriso irônico que surge em seu rosto.
— Onde você foi? — Ele pergunta, fechando o livro e me encarando. — Saiu cedo e não avisou ninguém.
Parei por um momento, respirando fundo antes de responder, ainda com o pensamento em Amara.
— Fui atrás de algo que quero — digo, sem hesitar.
Luca franze a testa, ainda com a expressão séria.
— Sério? Você continua atrás daquela mendiga? Não tirou essa ideia da cabeça? — Ele solta, como se estivesse surpreso e, ao mesmo tempo, irritado. — Está fazendo papel de louco, Domenico.

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