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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1041

— E o que você disse para ele? — Perguntou Tatiane.

Bia cruzou os bracinhos e resmungou:

— Falei que não gosto dele e que ele não pode mais pegar na minha mão. Se fizer isso de novo, eu bato nele. Aí ele começou a chorar.

Tatiane não conseguiu segurar o sorriso. Para uma criança da idade dela, Bia tinha um gênio forte e sabia muito bem se impor. A maioria dos coleguinhas até ficava um pouco intimidada perto dela. Só o fato de aquele menino ter criado coragem para se declarar já merecia algum reconhecimento.

— Você pode conversar com ele, Bia, mas nada de bater nos outros.

— Eu sei. Eu nem bati nele, só avisei.

Aquele jeitinho mandão lembrava demais Henrique. Do jeito que Bia era, dificilmente alguém conseguiria mandar nela quando crescesse.

Pensando bem, talvez isso não fosse ruim.

— Bia, como ele se chama? — Henrique perguntou de repente.

A menina já ia responder quando Tatiane se adiantou:

— Se ela consegue resolver isso sozinha e não está sendo prejudicada, é melhor você não se meter. São crianças. Se o menino entendeu o recado, já está ótimo.

Pelo tom de Henrique, Tatiane soube imediatamente que era melhor cortar o assunto ali. E, pela maneira como ele encarava a filha, não seria surpresa se já estivesse pensando em um jeito de tirar o garoto daquela escola.

Henrique ergueu os olhos para ela.

— Só perguntei por curiosidade.

Tatiane lançou-lhe um olhar desconfiado, mas preferiu não insistir.

Pouco depois, chegaram ao restaurante.

Um conhecido de Henrique se aproximou para cumprimentá-lo. Enquanto os dois conversavam, Tatiane levou Bia até a mesa e se sentou ao lado da filha.

Bia se inclinou na direção da mãe e perguntou baixinho:

— Mamãe, quando você vai entregar aquilo para o papai?

Tatiane soltou um suspiro, dividida entre rir e se irritar.

— Eu vou entregar, Bia. Não precisa ficar tão ansiosa.

A menina assentiu várias vezes.

— Tá bom.

— Estão falando de quê?

A voz de Henrique veio logo atrás delas.

Bia virou o rosto para o pai e abriu um sorriso.

— Segredo.

Henrique se sentou do outro lado da mesa.

— Que segredo?

— Um segredo que não pode contar para o papai.

Nos dois dias seguintes, foi ele quem procurou Tatiane algumas vezes.

Como sempre, as mensagens giravam em torno dos estudos e da rotina de Bia. Eram conversas breves, poucas frases de cada lado, e terminavam por ali.

Henrique ficou encarando a última mensagem de Tatiane, que encerrava mais uma daquelas conversas.

Ela continuava exatamente como sempre.

Nada em seu comportamento sugeria que estivesse pensando em lhe entregar alguma coisa.

Ele ficou olhando para a tela por um longo tempo.

Até que, irritado, jogou o celular de lado.

Pedro bateu à porta e entrou.

Assim que percebeu o mau humor de Henrique, sentiu o corpo ficar tenso.

Ultimamente, o temperamento do chefe estava cada vez mais difícil de prever. Aquelas oscilações constantes conseguiam ser ainda mais opressivas do que a frieza autoritária e impenetrável que ele costumava exibir no passado.

Enquanto isso, Tatiane ainda não tinha decidido como entregar aquilo a Henrique.

O maior problema era Bia, que continuava acompanhando o assunto de perto.

Se Tatiane demorasse muito mais, a menina com certeza voltaria a cobrar uma resposta.

E, por enquanto, ela realmente não fazia ideia de como resolver aquilo.

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