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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1044

A voz baixa e rouca de Henrique rompeu o silêncio:

— Ficou com medo de eu morrer?

Tatiane ergueu os olhos para ele e apertou o pequeno saquinho entre os dedos.

— Eu não quero que a Bia cresça sem pai.

Henrique continuou encarando-a, como se quisesse arrancar dela uma resposta diferente.

— Só por isso?

— O motivo não importa. Você...

Ela nem chegou a terminar.

— Para mim, importa.

A resposta veio sem hesitação.

Tatiane sentiu o peito apertar.

As palavras morreram antes de chegar à boca.

Ela sustentou o olhar dele.

Havia uma intensidade inquietante nos olhos de Henrique, algo profundo demais, difícil de encarar por muito tempo sem se deixar envolver.

De repente, ele estendeu o braço e a puxou para junto do corpo.

O cheiro de álcool se misturava ao perfume tão familiar dele, tomando os sentidos de Tatiane.

Henrique não disse nada.

Apenas a abraçou com força.

Por alguns instantes, o mundo ao redor pareceu desaparecer.

Tatiane só conseguia perceber a respiração pesada dele e o próprio coração acelerado.

Sem que nenhum dos dois notasse, um Bentley parou a pouca distância dali.

Felipe abriu a porta e desceu.

Ao ver os dois abraçados, franziu a testa.

Depois de um tempo que pareceu longo demais, Henrique finalmente afrouxou os braços.

Em seguida, inclinou o rosto, prestes a se aproximar ainda mais.

— Tati.

A voz de Cristiano veio da direção da casa.

Henrique parou.

Tatiane voltou a si no mesmo instante. Empurrou-o e recuou dois passos antes de se virar.

— Irmão.

Cristiano se aproximou, lançou um olhar para Henrique e perguntou:

— Já terminaram de conversar?

— Já.

Então voltou a atenção para Henrique.

— Sr. Henrique, espero que não faça nada que possa prejudicar a reputação da Tati.

Ao abri-la, encontrou o amuleto de proteção.

Ficou vários segundos olhando para o objeto na palma da mão, em silêncio.

Depois, guardou-o novamente com cuidado.

Tatiane voltou para o quarto.

Bia estava sentada no sofá lendo. Assim que viu a mãe entrar, largou o livro e correu até ela.

— Mamãe!

Bastou olhar para aqueles olhos brilhantes para Tatiane saber exatamente o que a filha queria perguntar.

— Já entreguei para o papai. Ele também já foi embora.

Bia se apressou:

— E ele gostou?

Tatiane segurou a mão da filha e a levou até a beirada da cama.

— Isso você vai ter que perguntar para ele.

— Então eu vou perguntar agora.

Bia já estendia a mão para pegar o relógio com telefone quando Tatiane a impediu.

— Bia, deixa para amanhã.

A menina pensou por alguns segundos antes de assentir.

— Tá bom. Amanhã eu pergunto para o papai.

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