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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1061

As intenções de Henrique não poderiam ser mais óbvias. Ele nem fazia questão de disfarçar.

Tatiane corou na mesma hora e o encarou, indignada.

— Henrique, você não tem vergonha na cara?

O sorriso dele se alargou.

— Vergonha mata a fome?

Tatiane lançou-lhe um olhar fulminante.

— Não. E você ainda vai morrer de fome desse jeito.

Henrique riu e mudou de assunto.

— Tinha uma coisa para resolver aqui perto na hora do almoço. Terminei agora e aproveitei para passar e ver como você está. Está sozinha em casa hoje?

Tatiane desviou o olhar. Virou-se de costas para ele, terminou de abotoar a roupa e estendeu a mão em busca de um travesseiro para apoiar nas costas.

Antes que conseguisse alcançá-lo, Henrique já havia colocado o que segurava atrás dela.

Com a proximidade, Tatiane sentiu o cheiro de álcool impregnado nele.

O estômago se revirou de repente.

Ela franziu a testa e se afastou.

— Você está cheirando a bebida. Fica longe de mim.

Henrique percebeu imediatamente seu desconforto.

— Agora você não suporta nem cheiro de álcool?

— Sai daí.

Henrique ficou olhando para ela por alguns segundos.

Tatiane, no entanto, não sustentou seu olhar.

Ele também não insistiu.

Apenas se levantou, foi até a varanda e voltou com uma cadeira. Sentou-se, esticando as pernas compridas à frente, e se recostou despreocupadamente.

— O Lourenço veio falar com você hoje?

Tatiane entendeu na hora.

Roberto provavelmente já havia contado tudo a Henrique.

Então era por isso que ele tinha aparecido.

— Veio. Pediu que eu falasse com o Beto e mandasse a Natália de volta para Nova Aurora assim que ela recuperasse a visão. Não sei o que ele está planejando, então achei melhor avisar o Beto.

Henrique a encarou.

— E nem pensou em me ligar primeiro?

Tatiane olhou para ele.

— Para dizer o quê?

— Você realmente acha que ele procurou você só para pedir que transmitisse esse recado ao Beto?

Tatiane franziu a testa.

Lembrou-se do aviso que Lourenço lhe dera antes de ir embora.

No fundo, a mensagem era clara: Henrique não deveria se envolver naquele assunto.

— Percebi que você se irrita muito fácil. A Bia provavelmente puxou isso de você. Você nem imagina como ela era quando tinha um ou dois anos. Bastava tentar fazê-la tomar um pouco mais de leite e ela já jogava o copo longe.

Bia realmente tinha um temperamento difícil.

Para quem via de fora, era uma garotinha doce e adorável. Desde que ninguém a contrariasse.

E nem Henrique escapava quando ela resolvia se zangar.

Tatiane retrucou:

— Do jeito que você fala, até parece que é um poço de bondade e generosidade.

Henrique assentiu, muito à vontade.

— Nisso você tem razão. Não sou mesmo nenhum exemplo de bondade nem de generosidade. Principalmente quando se trata de você.

Tatiane lançou-lhe um olhar de desprezo.

— Para de fazer cena. Acha mesmo que eu vou acreditar nisso?

Henrique continuou sorrindo.

— Pelo visto, minha credibilidade com você está mesmo no fundo do poço.

Tatiane olhou para ele de lado.

— Ainda bem que sabe.

— Então ainda temos bastante tempo pela frente. — Respondeu Henrique.

Tatiane estreitou os olhos.

— Você realmente não tem nada para fazer, não é?

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