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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1118

Felipe não se surpreendeu com o que Patrícia contou. Na verdade, já imaginava que a situação fosse mais ou menos aquela.

— Entendi.

Depois que a ligação terminou, Patrícia continuou com uma sensação incômoda no peito.

Sérgio percebeu.

— Agora só nos resta esperar para ver o que acontece.

Patrícia ainda parecia inquieta.

— Afinal, o que Lourenço quer com tudo isso?

Sérgio ficou alguns segundos em silêncio antes de responder:

— Hoje, ele é o único que restou da linhagem principal da família Ramos. Se não estiver disposto a arriscar tudo para virar o jogo, cedo ou tarde o que pertence à família vai acabar nas mãos dos ramos secundários. E, quando se quer estabelecer uma nova ordem, quase sempre é preciso provocar o caos primeiro.

Patrícia baixou os olhos, pensativa.

— Mesmo assim, provocar Henrique dessa forma... Lourenço realmente não teme que ele se volte contra ele depois?

— Neste mundo, não existem amigos para sempre. O que permanece são os interesses. Tudo vai depender de como Lourenço pretende equilibrar essa relação daqui para frente.

Patrícia não conseguiu esconder o quanto aquilo a impressionava.

Já tinha visto muitas famílias se destruírem por poder e dinheiro. Parentes se voltavam uns contra os outros, lutavam até as últimas consequências e, em alguns casos, faziam de tudo para mandar o próprio sangue para a prisão.

Mas nunca tinha presenciado uma movimentação da proporção daquela que Lourenço vinha conduzindo.

Por fora, tudo parecia tranquilo.

Não havia notícias, escândalos nem qualquer sinal evidente de turbulência.

Nos bastidores, porém, uma tempestade já sacudia algumas das famílias mais poderosas da capital.

— Só espero que Tati e Leandro estejam bem.

— Por enquanto, eles devem estar seguros. Não se preocupe demais.

Patrícia assentiu.

Depois de encerrar a ligação com ela, Felipe tentou falar com Henrique.

A chamada mal começou a tocar antes de ser recusada.

Felipe ficou alguns segundos encarando a tela do celular e soltou o ar devagar.

— Vá para o Residencial Aurora. — Disse ao motorista.

Quando chegou ao Residencial Aurora, Henrique ainda não tinha voltado.

A sala estava vazia, e a casa inteira parecia mergulhada em um silêncio frio.

Assim que viu Felipe entrar, a empregada se aproximou.

— Senhor Felipe, o que faz aqui?

— Onde está a Bia?

— A senhorita Bia acabou de subir para descansar.

No meio dos degraus, Henrique parou e olhou por cima do ombro.

— Não tenho nada para falar com você.

— Você pode não ter. Eu tenho.

— Não estou a fim de ouvir seus sermões.

Henrique tornou a subir.

Felipe avançou e segurou seu ombro.

Não teve sequer a chance de dizer mais nada.

Henrique se virou e acertou um soco em cheio no rosto dele.

Pego de surpresa, Felipe cambaleou dois passos para trás. O gosto metálico de sangue se espalhou pela boca.

Passou a língua pelo interior da bochecha, limpou o canto dos lábios com o polegar e ergueu os olhos para Henrique.

A raiva no rosto do outro era impossível de ignorar.

— Então é isso? Vai descontar em mim toda a raiva que está sentindo do Leandro?

Henrique manteve a mandíbula travada.

Uma risada seca escapou de seus lábios.

— Você não ficou tão próximo dele agora? Vive pensando por ele, defendendo tudo o que faz, como se ele fosse algum grande homem.

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