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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 1189

Três dias depois, Roberto deixou todos os assuntos da empresa devidamente organizados e embarcou com Nadja e Natália para Boston, nos Estados Unidos.

O passaporte e o documento de identidade de Natália haviam sido entregues a Nadja por Aureliano, que conseguira recuperá-los com Lourenço.

Antes da partida, Aureliano disse:

— Cuide-se bem.

O cansaço em seu rosto era impossível de esconder, assim como a sensação de impotência que parecia pesar sobre ele.

No dia do feriado, a enorme residência estivera praticamente vazia. Apenas Nadja permanecera ali para fazer companhia ao avô.

Lourenço não aparecera.

A casa, que deveria estar cheia de gente e animação, parecera ainda mais fria e desolada em meio ao silêncio.

Só depois de insistir muito Aureliano descobrira que Lourenço havia se machucado.

Na mesma hora, perdera a cor do rosto.

Ele fora vê-lo pessoalmente.

Ao sair de lá, mandara buscar o documento de identidade e o passaporte de Natália e entregara tudo a Nadja.

— O Roberto estar disposto a aceitar a Natália e ficar ao lado dela é uma coisa boa. Converse bastante com ela. Diga para não continuar presa ao que aconteceu. A vida precisa seguir. Ela não pode deixar o passado transformar a própria vida num fardo, nem para ela, nem para quem está ao redor.

Nadja fitou o avô, sentindo o peito apertar.

Sabia o quanto ele havia sofrido ao longo de todos aqueles anos.

Na internação anterior, Aureliano quase não sobrevivera. E Nadja sabia que, se continuara lutando até ali, era porque ainda se preocupava demais com ela e com o irmão mais velho.

— Vovô, eu sei. A Natália também entende. Enquanto eu estiver fora, o senhor precisa se cuidar. Assim que eu deixar tudo organizado para ela e tiver certeza de que está bem, eu volto.

Nadja abraçou o avô, incapaz de impedir que os olhos se enchessem de lágrimas.

Aureliano deu alguns tapinhas carinhosos em suas costas.

— Seu avô vai se cuidar, sim. Não se preocupe comigo. Vá tranquila.

No aeroporto, um Bentley parou devagar diante da entrada.

Roberto desceu primeiro. Em seguida, estendeu a mão para Natália e a ajudou a sair do carro.

Os funcionários começaram a retirar as malas do porta-malas.

— Vamos.

Nadja se aproximou e segurou a mão de Natália.

Os três entraram juntos no aeroporto.

Enquanto isso, na residência da família Ramos, um escritório permanecia fechado e mergulhado na penumbra.

Uma silhueta alta estava recostada na cadeira, ainda visivelmente debilitada.

Sobre a mesa repousava um pequeno porquinho de madeira pintado de rosa.

A peça era simples, com um acabamento longe de perfeito. Ainda assim, naquele escritório escuro, frio e silencioso, o pequeno objeto parecia ainda mais deslocado.

Lourenço estendeu a mão, pegou o porquinho e começou a girá-lo devagar entre os dedos.

Sem perceber, voltou a enxergar Natália como tantos anos antes, com aquele sorriso luminoso que parecia capaz de iluminar tudo ao redor.

— É para você. Eu mesma fiz.

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