Tatiane entrou no escritório com uma expressão serena, como se nada fosse capaz de abalá-la.
Mas, no instante em que viu a cena diante de si, ficou paralisada.
O escritório espaçoso exibia sinais inconfundíveis da presença de uma menininha. Nas paredes brancas, impecáveis até então, havia desenhos infantis e adesivos espalhados por toda parte.
No tapete, blocos de montar.
E até um robô dos Minions.
Naquele momento, Henrique estava trabalhando.
Beatriz, quietinha e comportada, estava sentada no sofá, conversando em inglês com o robô.
Ao ouvir a porta se abrir, Henrique ergueu os olhos e viu a mulher que acabara de entrar.
Naquele dia, Tatiane estava impecavelmente vestida: camisa branca, calça de alfaiataria e os cabelos presos em um coque. O rosto delicado e a postura firme lhe conferiam um ar elegante e profissional.
Quando percebeu o olhar do homem sobre si, Tatiane já havia recomposto a expressão e se forçado a não olhar para Beatriz.
Mas Beatriz ergueu a cabecinha. Assim que viu Tatiane, seus olhos brilharam. Ela largou o livrinho que tinha nas mãos e correu, radiante, na direção dela.
— Titia bonita.
Tatiane ficou imóvel, em choque.
Antes mesmo que conseguisse reagir, Beatriz já havia abraçado sua cintura com força.
O impacto a fez cambalear de leve. Tatiane firmou os pés depressa para recuperar o equilíbrio e, por instinto, abaixou-se, estendendo a mão para amparar a menina. Então baixou os olhos e viu o rostinho delicado de Bia, os olhos grandes, cristalinos e luminosos, como duas pedrinhas negras cintilando sob a luz.
Tatiane enrijeceu por inteiro.
Seu coração disparou, martelando forte demais dentro do peito. Por um instante, ela simplesmente não soube como reagir.
Só ouviu a voz doce de Beatriz se apresentar, espontânea:
— Titia bonita, eu me chamo Beatriz. Como você se chama?
Bastava um olhar para perceber: ela era uma garotinha viva, alegre, criada em meio a muito amor.
Tatiane se abaixou devagar, até ficar na altura dela. Olhando para a menina, perguntou em tom suave:
— A Bia me conhece?
Beatriz respondeu, toda comportada:
— Naquele dia, eu vi a tia bonita na chamada de vídeo com o papai. Depois, fiquei vendo TV com ele e vi a tia bonita de novo. O papai falou que hoje eu ia poder conhecer a tia bonita... E a tia bonita veio mesmo.
A alegria de Beatriz estava estampada no rosto, visível em cada traço delicado.
Ao ouvir a voz da filha, o coração de Tatiane se desfez por dentro. Ela queria tanto abraçá-la.
Não esperava que Bia tivesse se lembrado dela.
E, para ela, aquilo também era um consolo.
Tatiane sorriu. A luz do sol se refletia no fundo de seus olhos, tornando ainda mais intenso o calor daquele momento.
— Obrigada por gostar da tia, Bia.
Enquanto falava, ela tirou do pulso uma pulseira de pérolas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
30 capítulo e não aconteceu nada de interessante, esse cara é ridículo, a história tá perdendo enredo, era pra tá prendendo a gente , mas já tá um saco, li até aqui e não vi sentido algum. Me desculpa só sendo sincera…...