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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 710

Aos olhos do público, os dois agora formavam uma família. Henrique tinha muitos adversários, e certamente não faltaria quem tentasse explorar aquela situação para atacá-lo e prejudicar sua imagem.

Tatiane observou o homem à sua frente.

“Mas alguém como ele realmente teme o que os outros dizem? Provavelmente, ninguém teria coragem de enfrentá-lo abertamente.”

— Como se já não falassem o bastante de mim. Não me importo nem um pouco com reputação ou aparências.

Henrique não demonstrou qualquer reação.

— Tatiane, quero que entenda uma coisa. A partir de agora, suas atitudes não dizem respeito apenas a você.

— Quando tornou nossa relação pública, você não pensou que nós dois nunca estivemos do mesmo lado?

— Isso não muda a posição que você ocupa agora.

Tatiane o encarou por alguns instantes antes de responder devagar:

— Pelo que vejo, você parece disposto a aceitar Orlissa. Ela é inocente, dócil, faz tudo o que você manda e vive para agradá-lo. Além disso, é mais jovem e mais bonita que Karine. Pelo menos fisicamente, você já a aceitou antes mesmo de decidir o que sente por ela.

Na Austrália, Henrique parecia outra pessoa, dominado por um desejo quase incontrolável. E não fora Orlissa quem despertara tudo aquilo?

Afinal, ele também era homem e tinha um vigor muito acima da média.

Assim que Tatiane terminou de falar, Henrique se levantou de repente. Contornou a escrivaninha a passos largos e avançou em sua direção.

Ao vê-lo se aproximar, ela recuou por instinto.

Henrique estendeu o braço, impedindo-a de continuar, e a encurralou contra a escrivaninha sem o menor esforço.

— Você...

Tatiane ficou tensa e o encarou, em alerta.

Henrique apoiou as mãos na escrivaninha, uma de cada lado do corpo dela. Alto e imponente, inclinou-se até cercá-la por completo, mantendo os olhos fixos nos seus.

— Então isso incomoda você?

— Se ama tanto Bia e não consegue abrir mão dela, por que se recusa a lhe dar um lar de verdade e uma vida estável? Agora pretende deixá-la para trás, ir embora sem dizer nada e se estabelecer em Santa Vitória. Se vai abandoná-la, por que não aceita que ela crie laços com outra pessoa? Tatiane, afinal, o que você quer?

Cada palavra atingiu Tatiane exatamente onde mais doía. A cor desapareceu aos poucos de seu rosto, mas ela se esforçou para manter as emoções sob controle.

— Eu não estou abandonando Bia!

Tatiane quis se explicar, mas, diante de Henrique, qualquer justificativa parecia inútil.

Ele a encarava com uma firmeza implacável, como se pudesse enxergar tudo o que ela tentava esconder.

Incapaz de suportar aquela pressão por mais tempo, Tatiane o empurrou e caminhou depressa até a porta do escritório.

Henrique permaneceu onde estava. Não tentou impedi-la. Apenas acompanhou com os olhos sua saída apressada.

Ao voltar para o quarto, Tatiane fechou a porta com força e se apoiou nela, respirando com dificuldade. Ergueu o rosto para o teto enquanto seu corpo deslizava pela madeira, até acabar sentada no chão.

Um peso esmagador comprimia seu peito e lhe roubava quase todo o ar.

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