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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 757

Henrique caminhava ao lado dela.

Tatiane insistiu em dar mais alguns passos. Não caiu. Antes mesmo de perceber, um sorriso pequeno, cheio de alívio, apareceu em seu rosto.

Ao virar a cabeça, encontrou o olhar profundo de Henrique. Talvez fosse apenas o reflexo do entardecer, mas, naquele instante, ele parecia mais gentil do que de costume.

— Você também não precisa ter tanta pressa. Vamos devagar.

Tatiane desviou o olhar e respondeu com um leve:

— Hm.

— Já está escurecendo. Vamos voltar.

Henrique se inclinou, tomou-a nos braços e a levou de volta. Depois a acomodou na cadeira de rodas, agachou-se diante dela e começou a tirar, com as mãos, a areia grudada na sola de seus pés.

— Você...

Tatiane sentiu cócegas e tentou recolher o pé, mas não tinha força suficiente. Além disso, o tornozelo continuava preso na mão dele.

Bia também se agachou e tentou limpar os pés da mãe com a própria sainha.

— Bia, sua saia vai sujar.

Tatiane falou depressa, tentando impedi-la.

A menina ergueu os olhos para ela.

— O papai compra outra pra mim.

Henrique calçou os sapatos de Tatiane. Em seguida, pegou Bia no colo e a levou até a beira do mar para lavar seus pezinhos.

Bia se animou na hora. Bateu os pés na água, espalhando respingos para todos os lados, e caiu na risada.

Henrique a ergueu nos braços e a balançou algumas vezes, entrando na brincadeira.

— Pronto, meu amor. Já brincamos bastante.

Depois, deixou que Bia esfregasse os pés sozinha na calça dele para secar a sola.

Sentada na cadeira de rodas, Tatiane observava pai e filha.

Henrique voltou com Bia nos braços, calçou os sapatinhos dela e empurrou a cadeira de Tatiane para irem embora. Bia caminhava ao lado, com a mãozinha apoiada no braço da cadeira.

Eles pegaram o carrinho de traslado de volta para a mansão.

Tatiane não sabia se era impressão sua, mas Henrique parecia especialmente cansado naquele dia.

Ela, no entanto, estava desperta demais.

Tentou se obrigar a dormir, mas não conseguiu.

Tudo ao redor mergulhou no silêncio. A luz baixa mal conseguia afastar a escuridão. Assim que fechou os olhos, seu peito se apertou sem controle, e as cenas ensanguentadas voltaram a invadir sua mente.

Tatiane abriu os olhos de repente. A escuridão ao redor parecia prestes a engoli-la.

— Ah!

O grito escapou antes que ela conseguisse conter. Tatiane abraçou a própria cabeça com força.

Henrique, que dormia com o sono leve, acordou no mesmo instante. Ao se virar, viu a mulher encolhida, tremendo, com as mãos apertadas contra a cabeça. Acendeu a luz, afastou a coberta, saiu da cama e deu a volta até o outro lado para ajudá-la a se sentar.

Mas, assim que sua mão a tocou, Tatiane voltou a resistir. Debatia-se em pânico, encarando o homem à sua frente com medo e inquietação.

Henrique baixou a voz, tentando acalmá-la:

— Não precisa ter medo. Ninguém vai machucar você. A Bia está dormindo. Vamos falar baixo, está bem? Se ela acordar e vir você assim, vai ficar preocupada.

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