Entrar Via

Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 765

— O médico disse que, no seu estado, você precisa ficar em observação por pelo menos um mês. Por enquanto, siga o tratamento. O lugar é tranquilo, o clima também ajuda. Quando esfriar, a gente volta.

Tatiane ouviu sem dizer nada.

Henrique baixou o olhar para ela.

— Seu aniversário está chegando. Vamos comemorar aqui. Tem algum presente que você queira?

Ela continuou em silêncio.

Henrique não insistiu.

— Henrique.

Tatiane chamou seu nome de repente.

Ele olhou para ela. O polegar ainda roçava de leve os dedos finos da mulher.

— O que foi?

— Você não quer se divorciar de mim por causa da Bia?

A voz dela saiu calma demais. O olhar permanecia perdido, fixo em algum ponto distante.

Henrique a observou por alguns segundos.

— E você quer que a Bia cresça com os pais separados?

— Se eu ainda fosse a pessoa de cinco anos atrás, você deixaria a Bia me reconhecer como mãe?

A mão de Henrique se fechou um pouco mais em torno da dela. Ele apoiou o queixo no alto da cabeça de Tatiane e disse:

— Não fique presa a coisas que nem aconteceram. O que importa é agora. A Bia precisa de você. Eu sei que você ama nossa filha. Você quer ver a Bia crescer, não quer?

A risada alegre de Bia veio pelo vento e chegou até eles.

Tatiane escutou aquilo.

De repente, as lágrimas brotaram. Uma delas escorreu pelo canto do olho, desceu pelo rosto e caiu em silêncio. Havia nela uma tristeza funda, daquelas que nem a própria pessoa consegue explicar.

Não foi um beijo bruto. Também não foi gentil. Havia nele uma precisão quase calculada: deixava que ela respirasse, mas não lhe dava espaço para recusar, muito menos para falar.

De longe, pareciam dois amantes completamente entregues um ao outro.

Quando Bia se virou e viu o pai beijando a mãe, ficou envergonhada na hora. Virou o rosto depressa, cobriu os olhos com as mãos e resmungou:

— Papai não tem vergonha mesmo.

Mesmo assim, o rostinho dela estava cheio de alegria.

No segundo andar, Felipe assistia a tudo da janela.

Seus punhos se fecharam sem que ele percebesse. Ele não tinha ouvido a conversa, mas conseguia ver que Tati não estava bem. E, naquele instante, só podia ficar ali, olhando a irmã ser beijada contra a própria vontade, sem poder fazer nada.

Henrique não prolongou o beijo. Logo a soltou.

Tatiane entreabriu os lábios, respirando depressa. Com os olhos ainda úmidos, encarou o homem à sua frente, a insatisfação estampada no rosto.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora