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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 829

"Felipe não me quer.

Henrique também não me quer.

É tudo por causa daquela vadia da Tatiane.

Ela não está doente? Não está quase morrendo? Então que morra logo."

— Tatiane, sua desgraçada! Morre de uma vez!

Karine começou a quebrar tudo dentro do quarto, completamente fora de si.

Eliane entrou e levou um susto.

— Kari! O que vocês estão esperando? Segurem ela!

As funcionárias avançaram às pressas e impediram Karine de continuar destruindo o que encontrava pela frente.

— Saiam da minha frente!

Eliane foi até ela rapidamente e tirou de sua mão o frasco de vidro que Karine segurava.

— Kari, se acalme um pouco.

Ao ver a filha naquele estado, tomada pela dor e pelo desespero, Eliane sentiu como se o próprio coração fosse se partir.

— Kari, vai ficar tudo bem.

Ela segurou o rosto da filha entre as mãos.

Karine, de repente, desabou em choro. Em meio à emoção descontrolada, reclamou aos prantos:

— Mãe, por que meu irmão está fazendo isso comigo? Por quê?

Eliane a abraçou com força e deu leves tapinhas em seu ombro, tentando acalmá-la.

Enquanto isso, no quarto da mansão da família Oliveira, Henrique permanecia ao lado de Tatiane, com o olhar preso nela.

Ela estava quieta. Sentada ali, sem dizer uma palavra, parecia tão frágil que dava a impressão de que toda a vida havia sido arrancada de seu corpo.

Os dedos de Henrique se curvaram levemente.

Ele queria dizer alguma coisa.

Mas, pela primeira vez, sentiu-se perdido.

Não sabia o que deveria dizer.

O tempo parecia ter parado naquele instante.

Do lado de fora, apenas o vento levantava a cortina fina. Uma folha, trazida pela brisa, entrou silenciosamente no quarto e desceu devagar, sem fazer ruído.

Na parede, o relógio continuava marcando o tempo.

"Tique-taque. Tique-taque."

De repente, Tatiane se levantou.

Era como se o espinho cravado havia anos em seu peito finalmente tivesse criado raízes, brotado pontas afiadas e começado a perfurar, centímetro por centímetro, cada nervo de seu corpo, quase o despedaçando por inteiro.

Leandro desviou o olhar e caminhou direto para dentro da mansão.

Cristiano percebeu algo e se virou para voltar também. Mas, ao olhar para Felipe, viu-o parado no mesmo lugar, com uma expressão perdida. Em um instante, era como se sua alma tivesse sido arrancada do corpo.

Onde estava a imponência de antes?

— Sr. Felipe.

Cristiano o chamou.

Felipe voltou a si, mas seus pés pareciam pesar uma tonelada. Por mais que tentasse, não conseguia dar um passo.

Cristiano continuou:

— O senhor deve ter pensado muito neste dia. Mas o que precisa ser enfrentado, uma hora terá que ser enfrentado.

Felipe pareceu finalmente reencontrar a própria voz, mas ela saiu rouca a ponto de quase não parecer dele.

— Vamos entrar.

Ele moveu os pés.

Mas cada passo vinha sem a menor leveza, como se suas pernas estivessem presas a instrumentos de punição.

Cristiano observou as costas cambaleantes e miseráveis de Felipe. Então diminuiu o ritmo e o seguiu em silêncio.

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