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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 857

O silêncio tomou o carro.

Depois de um longo tempo, Tatiane perguntou:

— Por que você terminou com a Patrícia naquela época?

Felipe continuou dirigindo, firme, com a atenção voltada para a estrada.

— A culpa foi minha. Naquele momento, eu não podia me casar.

Por isso, quando Karine provocou aquele escândalo, ele se aproveitou da situação como desculpa para adiar o casamento.

Que Patrícia o odiasse, então. Talvez, assim, ela conseguisse seguir em frente sem culpa e ficar com outro homem.

Naquela época, Felipe era capaz de abrir mão de tudo, inclusive dos próprios sentimentos.

Sozinho, ele não tinha amarras. Também não tinha nada a temer.

Mas, a partir do momento em que formasse uma família, passaria a ter um ponto fraco. Tudo o que fizesse ficaria limitado por isso, e a outra pessoa acabaria sendo arrastada para o perigo.

— E agora? O que você sente por ela?

Depois de tantos anos, Tatiane conseguia perceber que Patrícia ainda sentia algo por Felipe. Caso contrário, não teria conhecido tantos homens, saído com tantos pretendentes e, mesmo assim, nunca levado nenhum relacionamento adiante.

Se realmente tivesse deixado tudo para trás, já teria se casado e formado uma família havia muito tempo.

O sinal fechou.

Felipe parou o carro. Sua voz continuava calma.

— Por enquanto, não vou pensar nas minhas coisas. Só vou cuidar da minha própria vida quando você estiver bem, Tati.

Enquanto falava, virou o rosto para ela.

Tatiane o encarou por alguns segundos.

Depois desviou o olhar.

E não perguntou mais nada.

O sinal abriu.

Felipe pisou no acelerador, e o carro voltou a avançar devagar pela rua.

Quando chegaram ao condomínio, Tatiane subiu para o apartamento.

Felipe também voltou para o lugar onde estava hospedado. Sentou-se no sofá da sala, recostou-se e pegou o celular. Ao abrir o WhatsApp, viu que Henrique não havia respondido nada.

À noite, foi até o apartamento de Tatiane com a intenção nada discreta de conseguir jantar por lá.

Quem abriu a porta foi uma empregada da casa. Assim que o viu, ela perguntou:

— Vou perguntar à senhora.

— Obrigado.

Felipe também não tentou forçar a entrada. Apenas ficou do lado de fora, esperando.

Naquele momento, Tatiane jantava na varanda do quarto, no andar de cima.

A empregada bateu à porta, entrou e disse:

— Senhora, seu irmão veio procurá-la. Mas o senhor Henrique deixou uma orientação antes, dizendo que ele não deveria entrar. Por isso vim perguntar à senhora.

Tatiane franziu a testa, sem entender o que Felipe e Henrique estavam tentando fazer.

— Vá pegar meu celular.

A empregada voltou ao quarto, pegou o aparelho sobre a mesinha de centro e o levou até Tatiane.

Tatiane estendeu a mão, recebeu o celular e ligou diretamente para Henrique.

Do mesmo jeito, o telefone estava desligado. A chamada nem chegou a completar.

Em Nova York, ainda era madrugada. Mas, em tese, Henrique jamais desligaria o celular sem motivo.

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