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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 9

Henrique soltou um sorriso leve ao ver Karine se aproximando deles.

— É melhor a Kari nunca ficar sabendo que você tem uma irmã de sangue. — Disse, num tom meio brincalhão. — Do jeito que você ainda pensa nela, ela com certeza morreria de ciúmes.

Felipe respondeu com calma:

— Eu não sou contra você e a Kari estarem juntos. Mas, enquanto suas pendências não estiverem resolvidas, eu não vou permitir que ela more com você.

Henrique apenas curvou levemente os lábios, sem responder.

— Mano, sobre o que vocês estão conversando? — Karine perguntou, curiosa.

— Nada demais. — Felipe sorriu.

Enquanto isso, do outro lado da cidade.

— Tatiane, o que você pensa que é? Acha mesmo que virou alguém importante?!

Floriana jogou um calhamaço de documentos com força sobre a mesa de Tatiane.

Instantes antes, como de costume, Floriana havia tentado repassar para Tatiane tarefas que claramente não faziam parte das atribuições dela. Desta vez, Tatiane recusara sem hesitar.

Tatiane ergueu o olhar, encarando Floriana, tomada pela fúria, e respondeu com um sorriso frio, quase debochado:

— Secretária Floriana, se você não dá conta nem do seu próprio trabalho e precisa empurrar pros outros, talvez seja melhor pedir demissão logo.

Os colegas ao redor começaram a prestar atenção. O burburinho crescia. Ao ouvirem aquilo, muitos ficaram chocados. Aquilo já não era só falta de paciência. Era alguém que claramente não se importava mais em manter as aparências.

Floriana, tomada pela raiva, avançou e ergueu a mão, pronta para dar um tapa.

Tatiane reagiu mais rápido.

Pegou o copo de água sobre a mesa e o lançou direto no rosto dela.

Floriana ficou imóvel por um segundo, completamente encharcada. Em seguida, soltou um grito estridente:

— Tatiane, sua sem-vergonha. Sua gorda imunda.

— O que está acontecendo aqui?

A voz de Pedro ecoou pelo escritório.

Floriana conteve o impulso de avançar novamente. Pedro se aproximou com passos duros, avaliando o estado constrangedor dela.

— O que houve?

Floriana respirou fundo antes de responder:

— Eu passei trabalho pra Tatiane, e ela se recusou a fazer.

Pedro franziu o cenho. A irritação surgiu clara em seus olhos quando voltou o olhar para Tatiane.

— E desde quando você tem o direito de se achar especial aqui dentro? — Disse, ríspido. — Isso aqui é uma empresa, não a sua casa.

Tatiane levou a mão ao pescoço, arrancou o crachá pendurado e o arremessou sobre a mesa.

Encarou Pedro com frieza.

— Então pronto. Eu não trabalho mais aqui. Serve assim?

Dito isso.

"Henrique ia voltar?"

Provavelmente por causa do conflito que ela tivera com Floriana naquele dia. Pedro, com certeza, já tinha feito o relatório. Ele devia estar vindo justamente para dar uma lição nela.

Ótimo.

Assim, ela também aproveitaria para falar tudo de uma vez.

Tatiane encarou Aline. A voz saiu fria e cortante:

— Você é a babá ou eu sou a babá? Quer que eu ligue agora mesmo pra senhora Lorena e diga que você anda querendo bancar a dona da casa?

— Vo... Você… — Aline empalideceu.

"A Tatiane de antes, submissa e sempre cuidadosa, parecia ter desaparecido. A mulher à sua frente era outra pessoa. Como ela ousava falar daquele jeito? Será que não tinha medo de o jovem senhor mandá-la embora de vez?"

— Você é completamente irracional. Uma louca. — Resmungou Aline, bufando, antes de virar as costas e sair.

Tatiane bateu a porta com força.

Aline se assustou com o barulho. Tomada pela raiva, pegou o celular na mesma hora e ligou para Bianca.

Tatiane apoiou as costas na porta fechada, ergueu o rosto e respirou fundo, tentando puxar o ar para os pulmões.

Mas não adiantou.

A sensação de injustiça veio como uma onda repentina. As lágrimas começaram a cair sem controle, uma após a outra.

Naquela noite, Henrique voltou para a mansão. Aline foi a primeira a se adiantar para prestar queixa diante dele.

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