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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 957

Depois de mais de um mês sem vê-lo, Tatiane percebeu o quanto Henrique havia emagrecido. O rosto parecia mais anguloso, a barba por fazer escurecia o contorno dos lábios e olheiras profundas marcavam seus olhos.

Ele sempre fora extremamente cuidadoso com a própria aparência. Tatiane jamais o vira tão abatido, muito menos tão descuidado.

Depois de servi-lo, colocou comida no próprio prato, sentou-se do outro lado da mesa e começou a comer em silêncio, sem levantar os olhos.

Henrique permanecia recostado na cadeira, com as pernas longas afastadas numa postura que aparentava desleixo. O olhar, porém, não se afastava dela por um segundo.

Tatiane acabou erguendo a cabeça.

Ele ainda não havia tocado na comida. Apenas a encarava, como se ela tivesse cometido algo imperdoável.

Ela soltou o ar devagar, contendo a irritação.

— Você já comeu?

Henrique curvou os lábios num sorriso sarcástico.

— Isso não foi feito para mim.

Tatiane se obrigou a manter a paciência.

— Então me diga o que quer. Peço para a empregada preparar outra coisa.

— Quero comer você.

Um arrepio percorreu as costas dela.

Não havia provocação sensual em sua voz. Pela maneira como Henrique a olhava, parecia realmente disposto a rasgá-la em pedaços e devorá-la.

Tatiane apertou os talheres entre os dedos.

— Canibalismo é crime.

Henrique soltou uma risada curta, sem qualquer traço de humor.

Ela não voltou a encará-lo. Continuou comendo, servindo-se dos pratos à mesa como se nada tivesse acontecido.

Ele, por outro lado, não demonstrava a menor intenção de tocar na comida. Permanecia atento a cada movimento de Tatiane, à espreita, como um predador esperando o momento de atacar.

Uma inquietação incômoda apertou o peito dela.

— Vou fazer macarrão para você.

Henrique não respondeu.

Mesmo assim, Tatiane se levantou e foi para a cozinha. Qualquer desculpa para se afastar dele por alguns minutos já lhe permitiria respirar melhor.

Colocou água para ferver e pegou o macarrão na geladeira.

Enquanto esperava diante do fogão, ficou em silêncio, sentindo a tensão se espalhar pelo apartamento. Só reagiu quando a água começou a borbulhar.

Colocou o macarrão na panela e mexeu com um garfo. Depois de pronto, transferiu-o para um prato fundo. Entre as opções do jantar havia carne cozida com molho de tomate, então acrescentou uma porção generosa por cima.

Henrique já estava de pé.

Atravessou a sala a passos largos e foi direto até a entrada.

Ao abrir a porta, deparou-se com Leandro.

Os dois se encararam, e a tensão entre eles pareceu comprimir todo o ambiente.

Henrique foi o primeiro a romper o silêncio.

— O senhor chegou em ótima hora. A comida que prepararam para você ainda nem esfriou.

O sarcasmo transbordava de cada palavra.

Em seguida, virou-se e retornou à sala de jantar. Ao encontrar o rosto tenso de Tatiane, acrescentou num tom carregado de ressentimento:

— A pessoa que você estava esperando finalmente chegou.

Henrique lançava acusações para todos os lados, como se tivesse acabado de flagrá-los em plena traição.

Leandro entrou no apartamento e caminhou até a mesa. Sem dar a menor atenção a Henrique, puxou a cadeira ao lado de Tatiane e se sentou.

Então perguntou, como se os dois estivessem sozinhos:

— Já terminou?

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