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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 958

Tatiane manteve os olhos baixos e assentiu de leve.

Leandro desviou a atenção para a mesa, puxou dois guardanapos e limpou as mãos. Depois de jogar o papel amassado no lixo, pegou um prato limpo, serviu-se de arroz e começou a comer com a maior naturalidade.

— Da próxima vez, peça para a Neide preparar menos comida.

Os pratos quase intocados deixavam claro que havia comida demais.

Tatiane continuou sentada, rígida, sem coragem de erguer o rosto.

— Uhum.

Ela sentia o olhar de Henrique cravado em si, carregado de uma fúria tão intensa que parecia capaz de atravessá-la.

O silêncio foi interrompido pelo arrastar brusco de uma cadeira.

Tatiane levantou os olhos.

Henrique puxou o assento e se largou diante dela. A tensão em seu corpo tornava o ambiente ainda mais opressivo do que a tempestade que castigava a noite lá fora.

A mão entre suas pernas se fechava e se soltava repetidamente.

— Onde estão os pequenos?

A pergunta de Leandro pegou Tatiane de surpresa. Ela demorou um instante para reagir e olhou em direção à sala.

— Devem estar debaixo do sofá.

Como se tivessem reconhecido a voz dele, o gatinho laranja e o tigrado saíram do esconderijo, miando sem parar, e correram até seus pés.

Pelos sons indignados, pareciam reclamar de tudo o que haviam acabado de passar.

Leandro baixou os olhos para os dois e voltou-se para Tatiane.

— Esqueci no porta-malas as latinhas que comprei para eles. Tati, pode buscar para mim?

Ela o encarou.

Leandro tirou a chave do carro do bolso e estendeu a mão.

— Vá.

Tatiane hesitou, mas acabou pegando a chave.

— Uhum.

Levantou-se, caminhou até a entrada, calçou os sapatos e saiu.

Só quando a porta se fechou atrás dela conseguiu respirar de verdade.

Encostou-se à parede por alguns instantes. Mesmo do lado de fora, ainda sentia o peso do silêncio que dominava o apartamento.

Depois de lançar um último olhar para a porta, seguiu até o elevador e apertou o botão.

— E ficar rondando uma mulher casada, sem querer sair de perto dela, coloca você de que lado, Leandro?

Com uma das mãos apoiada na mesa, Leandro tamborilou o indicador sobre a madeira.

Nada em sua expressão denunciava irritação. Por trás das lentes, encarava Henrique com uma serenidade quase provocadora.

— É a primeira vez que vejo você nesse estado. Pelo visto, o mundo realmente dá voltas. Quando desprezava tanto a Tati, chegou a imaginar que um dia terminaria assim?

A respiração de Henrique se tornou mais pesada.

Leandro prosseguiu:

— Provavelmente nunca passou pela sua cabeça que as coisas chegariam a esse ponto.

Ele soltou uma risada discreta, carregada de ironia.

— E, mesmo que tivesse imaginado, ainda acreditaria que Tati continuaria sob o seu controle. Mas você não é onipotente, Henrique. Nem tudo acontece do jeito que você quer.

— Já terminou?

A voz de Henrique saiu baixa e ameaçadora.

O sorriso de Leandro se acentuou.

— A Sra. Bianca não contou a você? Você e Tati já estão divorciados. Agora ela é uma mulher livre.

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