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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 967

A mão de Felipe parou por um instante, com a colher ainda entre os dedos.

— Eu não tenho contato com ele.

No passado, os dois haviam se encontrado algumas vezes por causa de Henrique, mas nunca tinham sido próximos. Fora dessas ocasiões, praticamente não se falavam.

Ainda assim, uma lembrança veio à mente de Felipe.

Na época em que Tati ainda estava grávida, Lucas havia estendido o pé de propósito para fazê-la tropeçar.

Só de pensar naquilo, Felipe apertou a colher com mais força, e seu semblante se fechou.

Patrícia percebeu, mas não insistiu. Desde que ele soubesse exatamente que tipo de pessoa Lucas era, isso já bastava.

— Espero que continue assim.

Felipe não respondeu. Apenas voltou a comer em silêncio.

Depois de alguns instantes, Patrícia perguntou:

— Está bom?

— Até que está.

— Deixa eu provar.

Felipe interrompeu o movimento e virou o rosto para ela.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Patrícia pegou a colher que ele estava usando, serviu-se de uma porção e levou à boca.

Depois de mastigar, comentou com a maior naturalidade:

— É, está bom mesmo.

Felipe ficou olhando para ela.

Patrícia sustentou seu olhar, completamente à vontade.

— O quê? Você tem alguma doença contagiosa?

Felipe nem chegou a responder.

Um ruído veio de dentro do quarto.

Ele largou a comida e entrou. Henrique já estava de pé ao lado da cama.

— Vai ao banheiro?

Henrique ainda parecia abatido e sem muita energia.

— Sim.

Felipe se aproximou, pegou a bolsa de soro e estendeu a outra mão para ajudá-lo.

Henrique não saiu do lugar.

— Eu estou com cara de tão fraco assim?

Felipe o encarou por um segundo e, então, estendeu a bolsa de soro na direção dele.

— Está bem. Você é feito de aço. Então segura sozinho.

Henrique não pegou.

Em vez disso, arrancou a agulha do dorso da mão e seguiu direto para o banheiro.

Felipe então saiu atrás de Henrique.

Henrique o esperava nos degraus da entrada. Assim que o viu se aproximar, perguntou:

— Vocês voltaram?

Felipe começou a descer.

— Enquanto a situação da Tati não estiver resolvida, não tenho cabeça para pensar em relacionamento.

Henrique passou a caminhar ao lado dele em direção ao estacionamento.

— E como você pretende resolver isso?

— Não é uma questão do que eu pretendo fazer.

Felipe continuou andando.

— O que eu preciso é ter certeza de que ela vai conseguir levar uma vida estável daqui para a frente. No mínimo, que não volte a sofrer emocional ou psicologicamente por causa de ninguém.

Henrique ficou em silêncio por alguns segundos.

Sob a iluminação fraca do estacionamento, manteve os olhos à frente antes de dizer:

— Ela tem dificuldade para tomar decisões porque pensa demais. E as pessoas ao redor dela estão sempre escolhendo em seu lugar, convencidas de que sabem o que é melhor. Com o tempo, isso só fez com que ela perdesse cada vez mais a confiança nas próprias escolhas. Hoje, talvez nem ela saiba direito o que realmente quer.

Felipe parou.

Virou-se para Henrique e o encarou. Quando falou, sua voz já havia esfriado.

— Já que você entende tanto assim dela, então me diz. O que você acha que ela quer?

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