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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 969

— Eu odeio vocês!

Tatiane também se assustou com a explosão da filha e correu para acalmá-la.

Bia se jogou em seus braços, chorando.

— O papai e a mamãe não se divorciaram, né?

Tatiane acariciou os cabelos da menina e tentou tranquilizá-la.

— Não se divorciaram. A Ceci entendeu tudo errado.

Ela levou Bia de volta para o quarto e ficou ao seu lado por bastante tempo, consolando-a até achar que a filha finalmente havia pegado no sono.

Só então saiu.

Mas Bia ainda estava acordada.

Assim que ficou sozinha, pegou o celular e ligou para Henrique.

Do outro lado da linha, Henrique percebeu a mágoa na voz da filha. A irritação que já carregava desde antes se tornou ainda mais difícil de conter.

Mesmo assim, falou com Bia com toda a calma.

Apenas não respondeu à pergunta que ela mais queria ver respondida.

— Bia, não fica pensando nisso. O papai vai aí amanhã.

Bia assentiu, embora ele não pudesse vê-la.

— Uhum. Então o papai tem que dormir cedo hoje e vir bem cedinho amanhã.

— Está bem.

A ligação terminou.

Henrique afastou o celular do ouvido e ficou algum tempo parado, em silêncio, com o maxilar tenso.

Do lado de fora do quarto de Bia, Tatiane também não havia ido longe.

Ao ouvir vagamente a voz da filha lá dentro, logo entendeu com quem ela estava falando.

Tatiane não entrou.

Apenas encostou as costas na parede do corredor e abaixou a cabeça.

Por alguns instantes, ficou ali sem se mexer.

Quando tornou a erguer o rosto, os olhos já estavam avermelhados.

Noemi e Ceci pretendiam passar a noite ali, mas, depois do que acontecera, Noemi achou melhor levar a filha embora.

Pouco depois, ela voltou ao corredor.

Ao encontrar Tatiane parada junto à parede, sentiu a culpa apertar ainda mais.

— Tati, me desculpa mesmo.

Noemi nunca havia conversado com Ceci sobre aquilo. Nem imaginara que a filha prestaria atenção na conversa dos adultos e, muito menos, que depois faria aquela pergunta diretamente a Bia.

Tatiane ergueu os olhos.

Já havia conseguido se recompor.

Para não acordar a filha, respondeu em voz baixa:

— Está tudo bem. Mais cedo ou mais tarde, a Bia acabaria descobrindo.

Noemi abriu a boca, mas não encontrou nada que pudesse dizer.

Tatiane encerrou o assunto:

— Vai descansar. Já está tarde.

Noemi apertou os dedos e assentiu.

— Você também.

Tatiane sorriu com carinho e se aproximou.

— Já que você ainda está acordada, vamos tomar banho e escovar os dentes antes de dormir.

Bia assentiu e estendeu os braços, pedindo colo.

Tatiane, porém, apenas segurou sua mãozinha e a ajudou a se levantar.

— A Bia está ficando cada vez mais alta. A mamãe anda meio sem força e já não consegue carregar você tanto no colo.

Bia não reclamou. Apenas desceu da cama sozinha.

Tatiane lhe deu banho e, durante todo o tempo, ficou brincando e fazendo graça para distraí-la.

Não demorou para as risadinhas de Bia encherem o banheiro.

Depois, mãe e filha voltaram para a cama.

Tatiane se deitou ao lado dela e começou a dar tapinhas leves em suas costas.

Pouco depois, Bia adormeceu aninhada junto à mãe.

Tatiane permaneceu ali por muito tempo, abraçada à filha, sem conseguir fechar os olhos.

Na manhã seguinte, levantou cedo e preparou pessoalmente o café da manhã de Bia.

Tinha acabado de servir uma porção de arroz cremoso com frutos do mar e a deixava esfriar sobre a mesa quando a campainha tocou.

Tatiane estranhou receber alguém tão cedo.

Caminhou até a entrada e abriu a porta.

Ao reconhecer o homem do outro lado, parou por um instante.

Ficou surpresa.

Mas, no fundo, não podia dizer que não esperava que ele aparecesse.

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