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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 970

Ao contrário da noite anterior, Henrique já não parecia tão abatido.

Estava novamente impecável, como de costume, com a aparência limpa e bem cuidada. Ainda assim, havia algo de cansado em seu semblante que nem o descanso conseguira apagar por completo.

Os dois se encararam por alguns segundos.

Tatiane foi a primeira a falar:

— Entra.

Henrique passou por ela sem dizer nada.

Tatiane fechou a porta e, ao se virar, lançou um breve olhar para ele.

— A Bia ainda está dormindo.

Henrique continuou em silêncio.

— Fica à vontade.

Sem esperar resposta, Tatiane voltou para a cozinha e retomou o preparo do café da manhã.

Henrique foi até a sala e se sentou no sofá.

Como a cozinha era integrada ao ambiente, dali conseguia acompanhar cada movimento dela.

Tatiane estava de costas para ele diante da bancada. Vestia um vestido largo e confortável, desses de ficar em casa, que deixava à mostra apenas parte das pernas finas. Um avental estava amarrado à cintura, e os cabelos presos de qualquer jeito em um rabo de cavalo baixo.

Henrique ficou observando-a em silêncio, sem deixar transparecer o que pensava.

Aos pés de Tatiane, os dois gatinhos estavam sentados com as cabecinhas erguidas, atentos a cada movimento dela e soltando um miado de vez em quando.

Ela preparava a comida dos dois.

Quando terminou, pegou os comedouros e, quase por instinto, falou num tom mais doce:

— Pronto. Venham comer.

O gatinho laranja e o tigrado começaram a miar ainda mais, impacientes.

Tatiane se virou e deu de cara com Henrique olhando para ela.

Por um instante, os dois ficaram imóveis.

O sorriso discreto que ainda restava em seus lábios desapareceu.

Ela desviou o olhar e levou os comedouros até o canto junto à parede. Assim que os colocou no chão, os dois gatinhos correram para perto.

Tatiane ajeitou cada um diante do próprio potinho, fez um carinho rápido nos dois e voltou a se levantar.

De volta à cozinha, lavou bem as mãos com sabonete líquido, limpou a bancada e continuou preparando o café.

Naquela casa ampla e silenciosa, o som mais nítido era o da faca batendo ritmadamente na tábua enquanto ela cortava os ingredientes.

Tatiane preparou algumas tapiocas recheadas e pão de queijo, além de bolinhos de mandioca que a empregada havia deixado prontos no dia anterior.

Tinha aprendido aquelas receitas aos poucos com ela. Às vezes, quando voltava do trabalho e não tinha mais nada para fazer, acabava ficando na cozinha, observando e aprendendo.

Quando tudo ficou pronto, levou os pratos para a mesa um por um.

Henrique ergueu os olhos para ela.

Tatiane se surpreendeu ao perceber que ele a encarava, mas logo desviou o rosto e caminhou até os dois.

— Bia.

A menina ergueu a cabeça.

— A mamãe vai levar você para lavar o rosto e trocar de roupa. Depois a gente toma café da manhã.

— Tá bom.

Bia saiu do colo do pai e seguiu com Tatiane de volta para o quarto.

Henrique acompanhou as duas com os olhos até desaparecerem pelo corredor.

Depois, reparou nos gatinhos.

Os dois já tinham terminado de comer e agora estavam espalhados pelo chão, ocupados em se lamber.

Quando Tatiane terminou de lavar o rosto de Bia, ajudou-a a trocar de roupa e saiu do quarto com a filha, encontrou Henrique parado diante do arranhador.

Ele segurava uma varinha com um brinquedo pendurado na ponta e tentava atrair o gatinho tigrado, que estava acomodado em uma das plataformas.

O bichinho, porém, não parecia disposto a fazer amizade.

Com o pelo eriçado, soltava pequenos chiados de advertência e dava patadas no brinquedo sempre que Henrique o aproximava.

Já o gatinho laranja tinha desaparecido sabe-se lá para onde.

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