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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 261

Valentina abraçou gentilmente o corpinho de Tadeu e o observou, em silêncio por alguns instantes.

— Tudo bem.

O escritório de Cícero costumava ser um espaço compartilhado pelos dois no passado.

Por isso, havia duas cadeiras posicionadas frente a frente.

Só que, naquela época, Valentina estava focada em sua especialização, então a mesa vivia atulhada de grossas apostilas médicas que, agora, estavam todas guardadas na estante ao fundo.

Entre a estante e a mesa principal, havia uma meia parede dividindo o ambiente.

Valentina passou uma boa meia hora ali dentro e, por fim, acabou saindo com um livro qualquer de medicina nos braços.

Encarando o olhar de Cícero, ela murmurou: — Às vezes é bom sentir um pouco de nostalgia.

Cícero não voltou a erguer a cabeça. Manteve os olhos baixos, focado no trabalho em seu notebook. Era como se o que ela decidisse tirar dali não tivesse a menor importância para ele.

Sabendo que as chances de achar algo útil na estante eram mínimas, o olhar de Valentina recaiu sobre a mesa de Cícero, e ela caminhou até lá.

O pesado livro de medicina pousou sobre a madeira com um baque surdo.

Em seguida, ela apoiou os dedos na borda da mesa. Suas mãos eram claras e delicadas, exibindo um anel que reluzia de forma quase agressiva sob a luz.

Aquele perfume suave e familiar se aproximou novamente.

Valentina pareceu inclinar-se ainda mais em sua direção, estudando a tela do computador com um tom de voz que beirava uma curiosidade casual: — No que está tão ocupado?

A voz dela roçou a orelha dele, macia como uma névoa a envolvê-lo.

Seus longos e sedosos cabelos roçaram no ombro de Cícero, e o brilho do monitor refletia nas íris dela.

Uma mecha fina escorregou silenciosamente, caindo bem diante dos olhos dele.

Como um fio de seda.

Impossível de afastar, impossível de cortar, brilhando e provocando sua visão.

Cícero se levantou, a voz carregada de um tom insondável.

— Se você quer que eu saia, é só dizer.

Dito isso, caminhou diretamente para fora do escritório, o tecido da camisa e da calça social marcando a contração rígida de seus músculos a cada passo.

Valentina observou as costas dele enquanto se afastava. Com a maior naturalidade do mundo, sentou-se na cadeira dele e, aproveitando a oportunidade que lhe caiu no colo, pegou o mouse e começou a vasculhar cada pasta do computador.

Cícero era louco, mas ela não era.

Se a chance batia à sua porta, seria um desperdício não investigar.

...

Naquela noite, Cícero tomou uma dose alta de seus medicamentos.

O excesso de remédios o fez sonhar. Sonhou com Valentina usando o mesmo vestido de tricô daquele dia, enquanto ele a puxava pela cintura, prendendo-a contra si, por trás.

Os cabelos macios como tinta escorriam pela nuca dela. Ele se inclinava, tomado por uma devoção doentia, colando o rosto na curva de seu pescoço.

Inalando seu cheiro. Beijando sua pele. Roçando os lábios nos fios de cabelo dela.

Era um sonho, e Cícero sabia disso.

Por isso, permitiu-se ser ainda mais ousado. Seguiu a linha clara e delicada do queixo dela, subindo até que sua mão apertasse levemente o rosto de Valentina, abaixando a cabeça para tomá-la em um beijo profundo. Ele a observava soltar suspiros curtos e entrecortados enquanto a beijava, ouvindo o som úmido do contato de suas bocas.

Os lábios dela eram tão macios que, em pouco tempo, ganharam um tom avermelhado.

Capítulo 261 1

Capítulo 261 2

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