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Ele Disse Que Se Arrependeu romance Capítulo 286

Tadeu estava ansioso para desenhar tudo aquilo. Sentado no banco de trás, ele baixou os olhos, perdido em pensamentos, enquanto escutava a tia Isaura cantarolar a música que tocava no rádio.

Fizeram uma parada em um posto de serviços e pediram uma refeição simples. Valentina desembrulhou cuidadosamente os talheres de plástico para Tadeu, limpou qualquer imperfeição e usou uma tigela pequena para separar o macarrão para ele.

Logo depois, Isaura a puxou para escolherem alguns lanches.

Tadeu assoprou o macarrão fumegante e deu uma garfada generosa. Na cabeça, exibia o gorro de ursinho marrom; o corpo estava envolto em um casaco branco e fofo de meia-estação, e, penduradas no pescoço, luvas de ursinho completavam o visual.

Mas o garoto havia crescido e perdido as bochechas de bebê, então aquela roupa soava um pouco infantil demais para a sua idade.

Talvez por isso a garotinha sentada na mesa ao lado o encarasse com a cabeça inclinada, cheia de curiosidade.

Ele ajeitou o gorro e, percebendo o olhar da menina, tirou alguns doces do bolso e os estendeu na direção dela.

A menina pegou os doces com suas mãozinhas gordinhas e continuou olhando fixamente para ele.

Tadeu hesitou por alguns segundos antes de tirar mais um punhado do bolso e entregar a ela.

A menina pegou de novo. E continuou encarando.

— ... — Num impulso, ele entregou o restante, guardando apenas uma bala para si.

A mãe da garotinha, que até então conversava com alguém ao lado, virou-se e deparou-se com a filha abraçada a um monte de doces. Ao seguir o olhar da criança, encontrou o belo garoto.

— Obrigada, meu jovem. Mas não precisa dar tudo a ela, um ou dois já estavam ótimos.

Tadeu pensou por um instante e respondeu: — Ela ficou me olhando. Achei que quisesse.

A mãe sorriu. — Ela estava olhando porque te achou bonito.

Ele passou a mão no gorro e respondeu com algo totalmente desconexo: — Minha mãe que comprou para mim.

A mulher piscou, surpresa, mas logo emendou um elogio caloroso: — Sua mãe tem muito bom gosto.

Ele não disse mais nada e voltou a abaixar a cabeça. Estava tão feliz que seus pés começaram a balançar sob a cadeira, mas, achando que a atitude era infantil demais, forçou-se a parar.

No segundo seguinte, sentiu-se envolto em um abraço quente e familiar. Alguém o abraçou levemente por trás, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco de meia-estação, protegendo-o como uma águia que abriga o filhote. A voz de Valentina soou suave, acompanhada pelo seu cheiro doce e reconfortante: — Está com frio, meu bem?

Tadeu balançou a cabeça e engoliu o macarrão com as bochechas infladas. — Não estou com frio.

Por debaixo da mesa, seus pezinhos voltaram a balançar.

— ...

Valentina não sabia se ria, se sentia pena ou se apenas aceitava a fofura da situação.

No caminho de volta, Tadeu adormeceu no banco de trás.

Isaura olhou para ele umas duas vezes antes de perguntar, ainda sem digerir muito bem a história, com um sussurro incrédulo: — Então quer dizer que o Tadeu é mesmo seu filho, Doutora Valentina? Ter um filhão lindo desse jeito de uma hora pra outra... o que você está sentindo?

Valentina, com as mãos firmes no volante, fitou o sinal vermelho à frente. Refletiu por alguns instantes em silêncio e, por fim, respondeu:

— Sabe de uma coisa? Não pareceu tão de repente assim.

Ao chegarem aos portões da Mansão Colina Norte, avistaram a silhueta solitária de uma pessoa parada lá fora. O vento assobiava macabro, e Isaura levou um susto enorme.

— Que susto, parece um fantasma...

Valentina semicerrou os olhos ao reconhecer a figura. — É um homem.

— Um fantasma de um homem ressentido, cruz credo...

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