A temperatura do ar subia a níveis alarmantes. O fogo se alastrava com uma rapidez brutal, transformando o cômodo em uma fornalha.
A consciência de Cícero começou a vacilar. O peito subia e descia descompassado, cada respiração acompanhada por uma dor dilacerante.
— Escute bem...
Ele tentou manter a voz firme, mas cada palavra rasgava sua garganta como vidro.
— Cubra o nariz e a boca com a blusa. Siga para a direita. Tem um corredor ali que dá na sala de estar. Da sala, vá para a saída... Tem ambulâncias lá fora.
— E você, pai?
A cabeça de Cícero latejava impiedosamente. Sua voz foi reduzida a um sussurro rouco:
— Vá.
Tadeu continuou parado, observando-o em lágrimas. Uma pontada aguda atingiu a têmpora de Cícero. Ele abriu a boca para repreendê-lo, mas, de repente, o menino correu em sua direção, ignorando as chamas.
Com os olhos ardendo, Cícero rangeu os dentes.
— Tadeu...
O garoto, com o rosto banhado em lágrimas e tomado por uma obstinação feroz, usou as mãos miúdas para tentar erguer a viga que esmagava seu pai. A força dele era insignificante. Em dois ou três puxões, as unhas se partiram e sangraram, mas ele continuou cavando e puxando sem desistir.
Seu pai não podia morrer...
— Eu não peço mais nada. Eu até aceito nunca mais jantar com o papai e a mamãe juntos. Eu só quero que vocês dois fiquem vivos... — As lágrimas de Tadeu caíam densas enquanto ele lutava uma batalha inútil.
As mãozinhas estavam cobertas de sangue. A inalação excessiva de fumaça já lhe roubava o fôlego.
Até que, ofegante e fraco, suas forças se esvaíram completamente.

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