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Ele Me Traiu… ou Eu Enlouqueci? romance Capítulo 368

Ele fechou os olhos, virando o corpo um pouco de lado, e dando as costas para Isabela.

Ele escutou um barulho vindo de trás e, de repente, uma mão tocou o queixo dele, virando o seu rosto à força: — Beba água.

O canudo tocou nos lábios dele, e Henrique abriu os olhos; não teve nem tempo de esconder a surpresa que revelou, e que foi parar bem de frente aos olhos de Isabela.

— Você...

— Vai beber ou não? Se não beber, vou derramar.

Henrique imediatamente tomou dois goles.

Isabela disse: — Henrique, agir assim não vai adiantar.

Ele perguntou: — Então o que é que adianta?

Ele não sabia, e não se atrevia a dizer mais nada.

Ele esticou um dedo e enroscou no dedo mínimo da Isabela de modo hesitante. A pele estava queimando e o toque seco.

— Eu faço o que for preciso, contanto que não vá embora.

— Eu não disse que não iria embora. — Isabela tentou puxar a mão, mas embora ele parecesse não ter força, o agarre era muito apertado. — Eu não vou embora, mas só por enquanto. Quando a sua febre passar, vou ter que voltar para a Cidade L.

— Precisa mesmo voltar para a Cidade L pra casar? — Henrique a perseguiu de perto.

Isabela ficou calada.

Henrique abaixou os olhos e as sobrancelhas e encarou por um longo tempo as suas mãos enlaçadas.

E continuou: — Você está prestes a se casar, acompanhar o ex-marido não é muito apropriado mesmo.

Ele tossiu de novo.

Isabela não aguentava ver aquele estado deplorável em que ele se encontrava e franziu a testa: — Você pode parar de falar? Não pode só descansar?

— Eu não consigo dormir. — Henrique riu. — É só fechar os olhos e vejo você indo embora com o Eloy, ou você sorrindo pra outra pessoa durante o casamento.

Ele levantou a mão para segurar o canto dos olhos.

— Isabela, nestes últimos quatro anos, toda vez que saio para uma missão, meu único medo é que se eu cair, nunca mais vou ver você.

O tom de voz de Isabela não podia ser considerado bom: — O testamento já não foi escrito? De que você tem medo, afinal?

— Sim. O dinheiro está garantido, mas se eu me for, vou me for e acabou.

Ele arfou e disse de novo: — Eu estava pensando: se eu morresse assim mesmo, você pegaria esse dinheiro todo e viria dar pelo menos uma olhada em mim, trazendo o Eloy com você? Mesmo que fosse só pra me xingar em frente à minha lápide. Ao menos vocês teriam vindo.

Enquanto ouvia cada palavra, sem perceber, as mãos de Isabela que estavam em cima do colo se fecharam em punhos.

Antes ela sempre achava que o Henrique não tinha coração.

Depois, ficou sabendo que, na verdade, o coração dele já estava despedaçado, e ele continuava suportando, usando um exterior frio para se envolver.

Agora o seu exterior tinha sido despedaçado e todo o sangue espesso de dentro vazava.

Não falava quando a amava; não se escondia quando a odiava. Agora que queria correr atrás, arriscava a vida.

— Já que foi você que orou pela segurança, guarde isto pra você e pra manter esta sua vida inútil a salvo. Se você quiser desejar felicidade a mim e ao Eloy, espere até você melhorar e se levantar, e se ficar perante nós com aparência de um ser humano com decência, você dirá isto com as suas próprias palavras.

— Me recusarei a aceitá-lo se você continuar com esta aparência de morto vivo, e o Eloy também vai rejeitá-lo.

Depois de dizer, ela voltou a sentar na cadeira e fechou os olhos, abraçando a sua bolsa contra o peito.

Henrique olhou para ela e, passado um longo tempo, puxou de repente os lençóis para esconder a sua cabeça.

Debaixo dos lençóis, veio o som de um soluço reprimido.

No ano da sua graduação, ela forçou o Henrique a acompanhá-la ao templo, e o forçou a escrever as suas orações.

Assim que Henrique tinha escrito as palavras, ele as espremeu e as jogou fora, dizendo que era mera superstição feudal.

Isabela fez beiço, disse que ele não era romântico, se virou, colocou a sua ficha e entrou no salão em direção aos incensos.

Quando ela entrou, Henrique pegou o papel vermelho mais uma vez.

Ele alisou as dobras e pendurou o papel vermelho ao lado da ficha de Isabela. Ele deu um nó cego nos dois fios, algo que ninguém conseguiria desatar.

Não desejou poder, nem riquezas, e nem um futuro de sucesso.

No papel vermelho que esvoaçava ao sabor do vento, estava escrito:

[Se for pra ficar com a Isabela, quero viver um pouco mais.]

Naquela época, ela já era o motivo pelo qual ele queria viver.

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