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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1052

Quando os cabelos finalmente secaram, Afonso guardou o secador.

Ao retornar, Naiara já havia escorregado para debaixo das cobertas, o corpo encolhido sob o edredom.

Ele parou ao lado da cama, fixando os olhos na figura dela por um instante. Depois, em silêncio, virou-se e foi para o banheiro.

Ao sair do banho, Afonso levantou as cobertas e deitou-se, envolvendo a esposa num abraço firme por trás.

— No que está pensando?

A voz de Naiara saiu abafada, quase inexpressiva.

— Nada.

— Vira pra mim — pediu ele.

Ela resistiu.

— Pode falar assim mesmo.

O tom de Afonso era de uma doçura irredutível.

— Vira pra mim. Tem coisas que eu preciso te dizer olhando nos olhos.

— Diga assim.

— Eu não consigo. Preciso ver o seu rosto.

O impasse durou alguns segundos até Naiara finalmente ceder e girar o corpo.

A cabeça descansando no braço de Afonso, ela encarou os olhos do marido. Por dentro, um maremoto a devastava, mas a expressão mantinha um verniz frio de mar calmo.

Afonso ergueu a mão, afastando os fios de cabelo grudados na bochecha dela para trás da orelha.

— Foi porque eu disse que me importava com aquilo hoje? É por isso que você está tão triste?

Naiara comprimiu os lábios e permaneceu calada.

— Nós somos casados — continuou Afonso. — E marido e mulher precisam ser honestos um com o outro. O que eu te disse foi a verdade do fundo da minha alma. Acha que não mereço ouvir a verdade do seu coração também?

Os olhos de Naiara, habitualmente calculistas, agora pareciam os de uma criança perdida e vulnerável.

— Eu... eu só estou me sentindo tão mal.

— Pelo que eu falei? Se for isso, eu te peço perdão. E eu posso tentar me explicar melhor.

Naiara balançou a cabeça devagar.

— Não é por você. É que toda vez que eu lembro do Carlos... tocando em mim... me sobe um nojo insuportável. É asfixiante.

Afonso a puxou contra o peito, embalando-a em seus braços.

— Já passou. Acabou.

O rosto de Naiara se enterrou na curvatura do pescoço dele. Aquele contato estreito e seguro era a única âncora que a mantinha sã.

— Afonso.

— Sim?

— Você sempre teve a intenção de adquirir a Tecnologia Vitalis do Carlos, não teve?

— O Carlos, mesmo sendo injustiçado na história da surra, tem teto de vidro. Teve que engolir a seco.

Naiara deixou escapar um suspiro melancólico.

— Se não estou muito enganada, pelo que o Carlos tentou fazer comigo hoje... você vai fechar o cerco amanhã, não vai? Ou quem sabe depois de amanhã.

Afonso ficou estático por um longo tempo. Então, empurrou os ombros para cima e recostou-se na cabeceira da cama.

— Você é absurdamente inteligente, Naiara.

Ele soltou um suspiro gutural, pesado.

— Mas o que você pensa de mim é frio demais. Injusto, até.

— Esses incidentes serviram de catalisador para acelerar o processo. Mas os negócios são uma coisa, e você é outra totalmente diferente.

— O que o Carlos tentou fazer com a minha mulher... Se eu, como seu marido, ficasse de braços cruzados, eu não seria digno de dividir a cama com você.

Naiara deu-lhe as costas e puxou o edredom.

— Estou cansada.

A mão de Afonso, que se erguera para tocá-la, parou no meio do ar, esvaziada.

— Eu vou dormir no quarto de hóspedes.

...

Naquela noite, Naiara não pregou os olhos.

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