Quando os cabelos finalmente secaram, Afonso guardou o secador.
Ao retornar, Naiara já havia escorregado para debaixo das cobertas, o corpo encolhido sob o edredom.
Ele parou ao lado da cama, fixando os olhos na figura dela por um instante. Depois, em silêncio, virou-se e foi para o banheiro.
Ao sair do banho, Afonso levantou as cobertas e deitou-se, envolvendo a esposa num abraço firme por trás.
— No que está pensando?
A voz de Naiara saiu abafada, quase inexpressiva.
— Nada.
— Vira pra mim — pediu ele.
Ela resistiu.
— Pode falar assim mesmo.
O tom de Afonso era de uma doçura irredutível.
— Vira pra mim. Tem coisas que eu preciso te dizer olhando nos olhos.
— Diga assim.
— Eu não consigo. Preciso ver o seu rosto.
O impasse durou alguns segundos até Naiara finalmente ceder e girar o corpo.
A cabeça descansando no braço de Afonso, ela encarou os olhos do marido. Por dentro, um maremoto a devastava, mas a expressão mantinha um verniz frio de mar calmo.
Afonso ergueu a mão, afastando os fios de cabelo grudados na bochecha dela para trás da orelha.
— Foi porque eu disse que me importava com aquilo hoje? É por isso que você está tão triste?
Naiara comprimiu os lábios e permaneceu calada.
— Nós somos casados — continuou Afonso. — E marido e mulher precisam ser honestos um com o outro. O que eu te disse foi a verdade do fundo da minha alma. Acha que não mereço ouvir a verdade do seu coração também?
Os olhos de Naiara, habitualmente calculistas, agora pareciam os de uma criança perdida e vulnerável.
— Eu... eu só estou me sentindo tão mal.
— Pelo que eu falei? Se for isso, eu te peço perdão. E eu posso tentar me explicar melhor.
Naiara balançou a cabeça devagar.
— Não é por você. É que toda vez que eu lembro do Carlos... tocando em mim... me sobe um nojo insuportável. É asfixiante.
Afonso a puxou contra o peito, embalando-a em seus braços.
— Já passou. Acabou.
O rosto de Naiara se enterrou na curvatura do pescoço dele. Aquele contato estreito e seguro era a única âncora que a mantinha sã.
— Afonso.
— Sim?
— Você sempre teve a intenção de adquirir a Tecnologia Vitalis do Carlos, não teve?
— O Carlos, mesmo sendo injustiçado na história da surra, tem teto de vidro. Teve que engolir a seco.
Naiara deixou escapar um suspiro melancólico.
— Se não estou muito enganada, pelo que o Carlos tentou fazer comigo hoje... você vai fechar o cerco amanhã, não vai? Ou quem sabe depois de amanhã.
Afonso ficou estático por um longo tempo. Então, empurrou os ombros para cima e recostou-se na cabeceira da cama.
— Você é absurdamente inteligente, Naiara.
Ele soltou um suspiro gutural, pesado.
— Mas o que você pensa de mim é frio demais. Injusto, até.
— Esses incidentes serviram de catalisador para acelerar o processo. Mas os negócios são uma coisa, e você é outra totalmente diferente.
— O que o Carlos tentou fazer com a minha mulher... Se eu, como seu marido, ficasse de braços cruzados, eu não seria digno de dividir a cama com você.
Naiara deu-lhe as costas e puxou o edredom.
— Estou cansada.
A mão de Afonso, que se erguera para tocá-la, parou no meio do ar, esvaziada.
— Eu vou dormir no quarto de hóspedes.
...
Naquela noite, Naiara não pregou os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...