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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1051

Aquilo definitivamente não era do feitio de Fausto.

...

À noite.

Afonso e Naiara retornaram ao Residencial Perfume.

Felícia preparou um banquete caprichado, mas Naiara mal tocou na comida.

Natália, com saudades do irmão, perguntou:

— Tia, quando o Bento vai voltar para casa?

Naiara parecia estar com a cabeça em outro lugar.

— Ele vai passar um tempo na casa do avô Xavier.

— Mas eu tô com saudades dele! Traz ele de volta, vai?

Naiara forçou um pingo de paciência.

— O avô Xavier mora sozinho, precisa de companhia. Daqui a alguns dias eu vou lá buscar o Bento.

Natália não estava convencida.

— Mas sem o Bento, eu fico sozinha também! Deixa ele vir passar uns dias com a gente, e depois ele volta lá pro avô.

Naiara perdeu totalmente o apetite.

— Você tem a mim, tem a Felícia, tem o seu tio... e ainda se sente sozinha?

Natália paralisou, sentindo o tom seco.

— Tia... aconteceu alguma coisa?

Naiara soltou um suspiro exausto.

— Não foi nada. Podem continuar comendo. Eu estou cansada, vou deitar um pouco.

Natália acompanhou com o olhar a figura da mulher sumindo no corredor.

— Tio, o que a tia tem? É por causa do tio Gualter que ela tá triste?

Afonso recolheu seu olhar das costas de Naiara.

— É, deve ser. Coma tudo, termine sua lição de casa e vá dormir cedo.

— Tá bom — respondeu a menina.

Mas algo estava errado.

Natália sentia que o tio também estava diferente.

Recebendo um olhar de aviso de Felícia, a menina se calou e voltou a comer.

Terminada a refeição, Afonso subiu para o quarto.

Naiara estava reclinada na poltrona de descanso, de frente para a janela.

Afonso se aproximou, curvou-se e deixou um beijo demorado em sua testa.

— Você comeu muito pouco, vai ficar com fome de madrugada. Se der vontade, me avisa que eu preparo alguma coisa pra você.

Naiara abriu os olhos; eles estavam nublados de umidade.

O coração de Afonso apertou.

— O que foi? O que está te angustiando?

Naiara virou o rosto negativamente.

O tempo escorreu pelas mãos, e a angústia no peito de Afonso pesava cada vez mais.

Fazia quase uma hora que ele havia entrado no quarto, e o som da água continuava.

Na verdade, ela já deveria estar lá dentro muito antes de ele abrir a porta.

Afonso compreendeu o que estava acontecendo.

Ele caminhou até a porta do banheiro e deu duas batidas leves.

— Naiara?

O som da água cessou instantaneamente. Uma voz rouca e abafada veio de trás da porta.

— Já estou saindo.

Afonso encostou-se no batente, esperando.

Dez minutos depois.

A maçaneta girou.

Naiara saiu envolta em um roupão, os cabelos molhados pingando nas costas e ensopando o tecido felpudo.

Os olhos de Afonso fixaram-se imediatamente no pescoço dela. A pele estava tão esfregada e castigada que parecia prestes a sangrar. O peito dele doeu.

Com receio de que ela pegasse um resfriado, ele guardou as palavras. Apenas a pegou pela mão, guiou-a até a cama e buscou o secador de cabelo.

O quarto mergulhou em silêncio absoluto, cortado apenas pelo zumbido mecânico do secador.

Afonso movia as mãos com a mesma gentileza de sempre, manuseando os fios de cabelo com cuidado extremo.

Naiara estava sentada na beirada da cama, pernas cruzadas, o olhar vazio fixo no nada. Parecia profundamente imersa em seus pensamentos, ou talvez não estivesse pensando em absolutamente nada.

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