Quanto mais Naiara Jasmim pensava naquilo, mais inquieta se sentia.
— Amor.
Afonso Xavier foi trazido de volta à realidade pelos chamados da esposa.
— Hum?
— O começo do império da família Xavier deve ter sido muito difícil, não é? Me conta um pouco.
— Por que o interesse repentino nisso? — perguntou Afonso.
Naiara se aninhou contra ele, manhosa.
— Eu só quero ouvir. Me conta, por favor.
Afonso sorriu, o olhar transbordando afeto.
— O império da nossa família foi construído com o suor do meu avô. Embora eu não tenha visto com meus próprios olhos, desde pequeno meu pai me contava o quão árduos e perigosos foram aqueles primeiros dias. Ele quase perdeu a vida por causa disso.
— Perdeu a vida? — Os olhos de Naiara se arregalaram.
— Sim. Naquela época, as guerras de facções em Porto das Estrelas eram gravíssimas. Na disputa por território e negócios, meu avô acabou ofendendo um grupo muito poderoso. Eles o emboscaram no meio do caminho. Foi o motorista dele quem se sacrificou para salvar sua vida. Por isso, no Santuário Xavier em Porto das Estrelas, ao lado da placa memorial do meu avô, há uma placa dedicada a esse motorista. Sempre que presto minhas homenagens, eu o chamo de avô de consideração.
A voz do homem era profunda e grave, mas envolta em um calor sutil.
— Quando meu avô faleceu, passou o bastão para o meu pai. E ele não o decepcionou, expandindo ainda mais o patrimônio dos Xavier. Quando eu nasci, todas as esperanças foram depositadas em mim. A trajetória da nossa família não foi tão tranquila quanto os de fora imaginam. Eu sei bem disso. Por isso, desde pequeno, entendo o peso da responsabilidade que carrego nos ombros.
Como a mulher em seus braços estava em silêncio há muito tempo, Afonso abaixou a cabeça, beijou o topo de sua cabeça e sussurrou.
— Querida?
Não houve resposta. Ela estava com os olhos levemente fechados e a respiração ritmada, indicando que já havia adormecido.
Afonso a ajeitou com todo o cuidado, garantindo que ela dormisse o mais confortável possível. Depositou um beijo suave em sua bochecha e murmurou, a voz quase inaudível para não acordá-la:
— Boa noite, meu amor. Apenas continue fazendo o que ama, corra atrás dos seus sonhos. Do resto, eu cuido.
...
O coração do homem apertou violentamente.
Era a primeira vez que via sua preciosa irmãzinha chorar com tanto desespero.
— Vai mesmo se torturar assim por causa de um homem?
Isabella, de costas para ele, falou com a voz terrivelmente rouca.
— Por que você fez aquilo?
Ao ouvir o tom de acusação, o rosto de Fausto escureceu ainda mais.
— Você está me culpando?
— Sim! Eu estou culpando você! Acha que eu fiz tudo isso por mim mesma? — A voz de Isabella subiu uma oitava, carregada de histeria. — Não me venha dizer que fez isso por mim, Fausto! A sua atitude passou longe do que eu queria! Qual o sentido de agir assim? Só para engolir o próprio orgulho e se vingar? E eu? Como eu fico?!
Ela se virou, os olhos vermelhos cravados nele.
— Eu amo o Afonso! Eu quero ficar com ele! Mesmo que haja apenas um fio de esperança, eu vou lutar para ficar com ele! E se não houver chance, eu vou criar uma! Eu o amo! Eu quero que ele seja meu! Mas, agindo assim, a única coisa que você conseguiu foi fazer com que ele me odiasse! Me desprezasse! Como eu vou ter alguma chance com ele agora?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...