Naiara ficou desesperada com o drama.
— Pai! Do que o senhor está falando?! Como eu poderia ter nojo do senhor?!
— É medo de eu ficar espionando o romance do casalzinho?
— Claro que não!
— Então está resolvido. Mudem-se para cá — arrematou Henrique.
Naiara abriu a boca para argumentar, mas Henrique não deu chance.
— Não se preocupe, essa mansão é gigantesca. Nós não vamos cruzar os caminhos se não quisermos. Podem fazer o que bem entenderem. Eu e o Eduardo já estamos velhos demais para sermos indiscretos.
Com um apelo emocional daqueles vindo do sogro, ficou impossível dizer não.
Naiara sorriu, derrotada.
— Tudo bem, pai. Nós faremos como o senhor quer. Providenciaremos a mudança em alguns dias.
— Eduardo, ligue para a transportadora e agende uma equipe para amanhã para cuidar das coisas da Sra. Naiara.
Eduardo já puxou o celular do bolso do colete.
— Sim, senhor. Farei isso imediatamente.
Naiara não conseguiu segurar a risada. Ele não estava perguntando se ela queria se mudar, ele já tinha a armadilha toda armada! E o showzinho de coitado de minutos atrás?
Ele era um magnata impiedoso, sim, mas às vezes parecia um velho teimoso e birrento!
Henrique olhou de relance para o hematoma no pulso de Afonso.
Ele percebeu o que havia acontecido, mas escolheu ignorar. Em vez disso, mudou de assunto.
— Amanhã aqueles dois imprestáveis devem desembarcar aqui. Mandarei alguém buscá-los no aeroporto. Mas pense bem onde vamos alocá-los.
— Meu tio já está em uma idade avançada, chegou a hora de ele aproveitar a aposentadoria com calma — disse Afonso. — Quanto ao meu primo, vou encontrar algum cargo secundário no grupo que o mantenha ocupado.
Henrique soltou um grunhido desdenhoso.
— Acha que ele serve para algum cargo? A única coisa em que aquele moleque é bom é em vadiagem, bebidas e farras.
— Pai, não se desgaste com isso. Deixe que eu cuido deles. O senhor foca apenas em curtir a vida e mimar o Bento.
Henrique suspirou profundamente, um brilho melancólico surgindo em seus olhos.
— Eu entendi as verdadeiras intenções dele. Ele fez tudo isso para me proteger.
A Mansão Xavier contava com o sistema de vigilância mais tecnológico do país e uma equipe paramilitar de segurança. Nenhum lunático seria estúpido o suficiente para tentar um atentado ali dentro.
Desde que Naiara era criança — salvo por alguns raros momentos de carinho que o seu próprio pai lhe negara no passado — ninguém nunca havia lutado para protegê-la com tanta dedicação.
Mas na família Xavier, ela havia encontrado tudo o que o destino lhe roubara.
Encontrara respeito absoluto. O amor de um marido extraordinário. E o cuidado feroz e paternal de um sogro que agia como o escudo que ela nunca teve.
Sentia que sua vida inteira havia valido a pena só para chegar àquele momento.
Na escuridão do quarto, as palavras de Henrique voltaram à sua mente.
Aquele suspiro pesado de um pai com o coração apertado pelo sacrifício do filho não a deixava dormir.
A linhagem da família Xavier era extremamente restrita. De todo o poder e legado acumulado por Henrique, a coroa inteira pesava exclusivamente sobre os ombros de Afonso, seu único herdeiro direto.
De repente, ela compreendeu por que Henrique havia sido tão impiedoso no treinamento do filho por todos aqueles anos.
Não era maldade. Era o pavor absoluto de que o império construído com sangue e sacrifícios desmoronasse, esmagando ambos sob os destroços.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...