Afonso segurou as mãos dela, verificando-as com cuidado.
Ainda bem que ela não havia se machucado.
Aquele grampo fora encomendado e forjado meticulosamente por ele. Servia tanto como adorno de cabelo quanto como arma.
Ele tinha temido que ela acabasse cortando as próprias mãos.
— Talvez não seja um reflexo meu, mas sim algo que sempre esteve na sua natureza.
Naiara permaneceu em silêncio por um momento.
— Amor.
— Hum?
— Que tipo de pessoa você acha que era o meu pai biológico?
Afonso afastou gentilmente uma mecha de cabelo que grudara na bochecha dela.
— Provavelmente, alguém de pulso firme, mas de coração terno.
Os olhos escuros de Naiara piscaram.
— Por quê?
O homem sussurrou, cheio de ternura:
— Porque você é assim. Alguém com uma alma incrivelmente forte, mas ao mesmo tempo muito íntegra e corajosa.
Naiara soltou uma risadinha.
— Eu não tenho uma alma forte. Eu até choro.
— Chorar só prova que o seu coração é macio e cheio de bondade.
Naiara não conseguiu conter o riso.
— E eu também não sou corajosa. Vivo precisando que você me proteja.
— Mas hoje você foi muito corajosa. Não precisou da minha ajuda. Evoluiu bastante — rebateu ele.
Naiara abriu os dedos e entrelaçou as mãos nas dele.
— Desde quando o Sr. Afonso ficou com a língua tão doce? Quem te ensinou a bajular as pessoas assim?
Afonso sorriu de canto.
— Aplicando o que aprendi.
— Foi o Fábio que te ensinou de novo? — provocou ela.
— Nesse quesito, ele é o meu mestre.
Naiara deu uma gargalhada contida.
A respiração quente do homem roçou na orelha dela.
— Você... não gosta?
O "hum" de Naiara foi intencionalmente prolongado.
— Eu... gosto muito.
...
De repente, a figura deitada na cama se mexeu.
Os dois reagiram no mesmo instante.
Naiara quase pulou do colo de Afonso e, na pressa, quase perdeu o equilíbrio.
— Ah... Seu padrinho é assim mesmo. Nunca fala sobre as frustrações dele, sempre finge que está tudo bem.
— Mas a verdade é que eu sei o que ele está passando...
Naiara continuou a confortá-la:
— Madrinha, seja boazinha e descanse. Seu corpo ainda está frágil, não pode fazer esforço falando tanto.
Belmira realmente estava esgotada e, pouco depois, voltou a adormecer.
Naiara ajeitou as cobertas ao redor dela e saiu do quarto acompanhada por Afonso.
No corredor, Naiara revelou o que estava em seu coração.
— Eu quero cuidar da minha madrinha pessoalmente.
Afonso sabia o peso da culpa que ela carregava e não se opôs.
— Você pode ficar aqui, mas precisaremos contratar um enfermeiro para auxiliar.
Ele não deixaria que ela se exaurisse sozinha.
— Tudo bem — concordou Naiara.
Ela fez uma pausa, incapaz de esconder a aflição.
— Mas se ela perguntar do meu padrinho de novo, tenho medo...
Medo de não saber como explicar a verdade.
— Tio Leonardo.
A voz de Afonso soou repentina, fazendo Naiara se virar bruscamente para trás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...