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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1098

Naiara soltou um suspiro profundo.

Mas o som daquele suspiro fez os pelos da nuca de todos se arrepiarem.

As palavras que se seguiram pareciam dirigidas a Breno, mas soavam mais como um monólogo.

— Antigamente, quando eu vivia com a família Lucca, sentia que qualquer um podia pisar em mim. Eu era como um parasita digno de pena vivendo de favores.

— Mas então eu conheci o meu marido. E a verdade é que ele me ensinou muitas coisas.

— Ele me disse que a bondade precisa ter limites.

— Ele também me disse que não importava o que eu fizesse, ele sempre estaria me apoiando. Para que eu não me preocupasse, nem tivesse medo.

— De repente, ganhei coragem para viver. E me reencontrei com quem eu realmente sou.

— Posso ser bondosa, mas a premissa da minha bondade é que eu, as pessoas que eu amo e os que me importam nunca sejam machucados.

— E agora você...

Com uma breve pausa, o grampo cravou-se mais um milímetro na pele.

Mais um pequeno empurrão, e a artéria carótida seria perfurada.

A voz da mulher era tão sombria que causava arrepios.

— Você machucou alguém que eu amo! E isso, de verdade, me irrita muito!

As pernas de Jonas, o informante, tremiam incontrolavelmente.

Se os seguranças não o estivessem segurando, ele já teria desabado no chão.

Ele viu o ódio nos olhos de Naiara. Viu a promessa escrita naquelas pupilas gélidas:

*Não vou recuar.*

Quando o pânico de uma morte iminente tomou conta de seu corpo, ele finalmente cuspiu a verdade.

— Foi a família Âncora! Foi o Fausto! Foi ele quem mandou! Ele me deu uma bolada em dinheiro para fazer a denúncia. E não fui só eu, ele pagou várias outras pessoas também...

O segurança desferiu um golpe na nuca, e o homem apagou na mesma hora.

A resposta já era esperada. Ninguém ficou surpreso.

O que precisavam era apenas de uma confissão.

Naiara entregou o gravador de voz a Breno.

— Leve isso para a Corregedoria.

Breno guardou o gravador no bolso.

— Senhora... Por que sinto que a senhora está cada vez mais parecida com o senhor Afonso?

Naiara deu um sorriso sutil.

Ele a abraçou pela cintura com uma mão e acariciou a palma dela com a outra.

— Ainda bem. Suas mãos estão quentes. Parece que desde o nascimento do Bento aquele problema de ficar com as mãos geladas no frio melhorou bastante.

Sem o grampo para prendê-lo, o cabelo negro de Naiara caía como uma cascata sobre os ombros.

— Aquele grampo que você me deu ficou manchado de sangue.

O sorriso do homem carregava adoração pura.

— Então jogue fora. Eu te dou outro.

Os lábios macios dela roçaram a bochecha dele.

— Sabe o que o Breno me disse hoje?

— O quê? — perguntou Afonso.

— Ele disse que via um pouco de você em mim.

Aquela que um dia aceitara passivamente o seu destino, agora se recusava a curvar a cabeça para a vida.

O que era dela, ela iria lutar para ter.

E àqueles que a machucavam, ela retribuiria na mesma moeda.

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