Se não fosse por isso, ela realmente não conseguiria dar uma única garfada naquela refeição.
— Isabella, você é tão linda e tão talentosa. Tenho certeza absoluta de que vai encontrar um homem cem vezes melhor que o meu primo.
A expressão de Isabella tornou-se sombria e complexa.
— Você acha mesmo que existe, neste mundo, um homem melhor que o seu primo?
Beatriz congelou, abaixando novamente os talheres.
No fundo, ela tinha que admitir que era verdade.
Pelo menos até aquele momento de sua vida, ela nunca tinha cruzado com um homem que chegasse aos pés de Afonso.
Ele não era apenas brilhante e implacável no mundo dos negócios; ele era absurdamente fiel. Ele era a definição de perfeição.
Beatriz até sonhava que, se um dia fosse arranjar um namorado, o cara precisava ter a mesma índole do seu primo.
Ela sabia que a barra estava alta demais.
Mas ter um sonho não custava nada.
Beatriz tentou encontrar as palavras certas para confortá-la.
— Isabella, no fim das contas, eu acho que essas coisas são obras do destino. O destino simplesmente escolheu juntar o meu primo e essa... Naiara. Eles estão quase se casando. A melhor coisa que você pode fazer é tentar esquecê-lo.
Esquecê-lo?
Como se isso fosse remotamente possível.
Isabella ficou imóvel, o peito apertado, quase sufocando com a própria agonia.
De repente, ela captou um detalhe estranho no discurso da garota.
— Espere, eles já não estão casados no papel? Como assim 'estão quase se casando'?
Sem medir o peso das palavras, Beatriz disparou:
— Ah, o que eu quis dizer é que eles vão fazer uma cerimônia de casamento luxuosa.
Isabella sofreu um baque violento, a postura tensionando.
— Eles... vão ter uma festa de casamento?
— Sim, isso mesmo. Meu tio Henrique ia obrigar os dois a casarem imediatamente, mas acharam que tudo ficaria muito corrido e, como a dona Belmira ainda não está totalmente recuperada da cirurgia, eles adiaram.
A garganta de Isabella secou bruscamente. Ela esticou o braço para pegar o copo d'água, mas recolheu a mão na mesma hora.
Ela teve medo de que sua mão trêmula a traísse.
Ela se recusava a deixar que Beatriz percebesse o inferno que queimava dentro dela.
— E o seu tio Henrique já marcou a data exata da cerimônia?
Beatriz balançou a cabeça em negação.
Beatriz não sabia mais como confortá-la.
Ela sentia que Isabella amava Afonso beirando a loucura.
O carro guiado pela assistente, Sabrina, encostou na calçada.
Isabella segurou as mãos de Beatriz num gesto desesperado e falso.
— Bia, mesmo que eu não possa ser a sua cunhada no papel, eu sempre serei a sua melhor amiga. Nós podemos continuar sendo como irmãs, não é?
Beatriz concordou sem pestanejar.
— Claro que sim. — Ela tentou dar um último conselho maduro. — Isabella, essa dor é só passageira. Quando essa fase ruim passar, você vai ficar bem.
Isabella não respondeu. Apenas tocou a cabeça da garota em silêncio.
— Eu vou indo.
Beatriz ficou na calçada, observando o carro de luxo desaparecer no trânsito.
Ao dar meia-volta, Beatriz colidiu de frente com um corpo sólido.
Ela recuou dois passos, pronta para pedir desculpas pela distração.
No entanto, ao levantar o rosto e encarar o sujeito insuportável à sua frente, a expressão polida sumiu de seu rosto em um piscar de olhos.
— Você virou assombração agora? Fica parado atrás das pessoas sem fazer um único ruído!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...