Inquieta, Naiara ligou para Afonso por volta das nove da noite.
Chamou duas vezes. Ninguém atendeu.
Recusando-se a desistir, ela ligou uma terceira vez.
Finalmente, a ligação foi atendida. Mas a voz que ecoou do outro lado da linha não era a de Afonso.
Era de Isabella.
— Naiara.
O instinto de Naiara estava certo. A sensação ruim tinha um motivo. E o motivo acabara de atender o telefone.
— Quero falar com o meu marido.
O silêncio reinou na linha por alguns longos segundos, tão denso que parecia que a ligação havia caído.
— O Afonso está dormindo.
O coração de Naiara deu um salto, mas sua voz não demonstrou a menor alteração emocional.
— Ele está com você?
— Sim.
— Por que ele estaria com você?
— Porque hoje foi o aniversário da Bia. Nós comemoramos juntos, e ele bebeu demais.
Os olhos de Naiara escureceram levemente.
— Onde vocês estão?
— Num hotel.
— Qual hotel? Vou mandar alguém buscá-lo.
Isabella soltou uma risada repentina, quase histérica.
— Você acha mesmo que eu vou te contar?
O tom de Naiara tornou-se gelado e absoluto.
— O que você pretende fazer?
— O que eu, como noiva dele, devo fazer com o meu noivo.
Naiara fez uma pausa milimétrica.
— Ele agora é o meu marido.
Como se tivesse sido espetada, a voz de Isabella subiu uma oitava, carregada de agressividade:
— Mas ele deveria ter sido o meu marido! Foi você quem o roubou de mim!
— Isabella — rebateu Naiara, com uma calma assustadora. — Essa não é você.
A garota do outro lado vacilou.
— Como assim?
— Significa que, no fundo, a sua natureza é boa. Você não seria capaz de fazer algo tão baixo sozinha. Alguém deve ter manipulado você. Existem certas vozes que você simplesmente não deveria dar ouvidos.
Isabella continuava sufocada em seu conflito interior.
— Fausto... e se a gente simplesmente deixar pra lá?
Fausto olhou para o homem ainda inconsciente na cama, a expressão coberta por nuvens de tempestade.
Ele também não queria fazer aquilo.
Não suportava a ideia de assistir à mulher que... assistir à irmã se entregando a outro homem daquela forma. Mas...
— Nossa mãe preparou o terreno perfeitamente para você. Se você desistir no meio do caminho, ela vai ficar arrasada. Você sabe muito bem que o maior desejo dela, antes de partir, é ver o Afonso se casando com você.
E já que Afonso se recusava a casar.
Eles o forçariam a casar.
Isabella sentou-se na beira da cama e tomou a mão do homem adormecido entre as suas.
A mão dele estava fria.
Um frio que parecia penetrar até os seus ossos.
Ela levou a mão dele contra a própria bochecha. Observando aquele rosto pelo qual passara noites em claro ansiando nos últimos dias, o desespero em seu coração pareceu, subitamente, encontrar paz.
Fausto sabia que era a hora de ir.
Mesmo com o coração dilacerado, era o momento de sair de cena.
Porque, na família Âncora, ele era apenas uma peça de tabuleiro. Não tinha poder de decisão. Não tinha sequer o direito de ter uma voz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...