Seus pais adotivos o haviam trazido para o seio da família Âncora, garantindo-lhe o acesso à riqueza e ao luxo. Da mesma forma, tinham o poder de atirá-lo ao inferno, deixando-o sem absolutamente nada.
Portanto, mesmo que a dor lhe perfurasse até a alma, ele precisava engolir em seco.
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Fausto retornou ao carro.
A garota no banco de trás já havia despertado.
As mãos de Beatriz estavam amarradas nas costas e a boca estava selada com fita adesiva. Sua expressão frágil e aterrorizada cortaria o coração de qualquer um.
Mas o coração de Fausto só amolecia por uma única pessoa.
Diante da jovem assustada à sua frente, não havia sequer uma gota de piedade em seus olhos.
Ele se inclinou e arrancou a fita adesiva de uma só vez.
— Não faça barulho. Mais tarde, vou soltar você.
As lágrimas de Beatriz caíam copiosamente, encharcando o rosto delicado.
— Fausto, o que você fez com o meu irmão?!
Ao ouvir o tom íntimo com que ela o chamou, um calafrio inexplicável percorreu o coração dele.
— Ele está bem. Apenas está na companhia da pessoa que deveria ser a verdadeira cunhada dele.
Os ombros da garota sacudiam em soluços violentos.
— Fausto, como vocês podem fazer isso?! Eu sempre achei que você e a Isabella eram pessoas tão boas! Por que fazer isso com o meu irmão?!
Fausto encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.
— Você deve ter lembranças erradas.
Ele nunca fora uma boa pessoa.
Pelo bem do império dos Âncora, Fausto já havia feito tantas coisas contra a própria consciência a mando de Ricardo Âncora que mal conseguia contar.
Como ele poderia ser uma boa pessoa?
Aquela garotinha era mesmo tola.
Beatriz tentava avisá-lo, em desespero:
— Fausto, se vocês continuarem com isso, o meu tio Bernardo não vai perdoar vocês! Meu irmão também não vai deixar barato! E... e a Naiara... ela vai ficar arrasada...
Fausto abriu os olhos lentamente e virou a cabeça na direção dela.
— Fausto, eu te imploro, por favor! Não faça mal a eles! Eles estão prestes a fazer a festa de casamento!
A cabeça de Fausto doía de forma insuportável com os gritos. Ele pegou a fita adesiva, pronto para colar de volta na boca dela.
Se a calasse, teria paz.
Mas, em um movimento rápido, Beatriz cravou os dentes com toda a força no pulso de Fausto.
A garota podia parecer frágil, mas a mordida carregava a força do ódio. Ela não soltou por nada.
A dor foi excruciante.
Aguda e profunda.
Contudo, o rosto de Fausto permaneceu como uma estátua de gelo. Nenhuma ruga de dor, nenhum som.
Ele ficou em silêncio, apenas observando Beatriz esgotar todas as suas forças, desabafando toda a indignação que sentia na mordida.
Só quando o sangue escorreu pelos cantos dos lábios dela, Beatriz abriu os dentes e recuou.
Olhando para aquele homem sem qualquer expressão, o medo tomou conta de seu corpo.
— Você... não sente dor?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...