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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1149

Naiara prosseguiu, o tom baixo, mas penetrante.

— O seu título de "herdeiro Âncora" não passa de uma grande farsa. Você é só a marionete perfeita do império deles. Ou, para ser ainda mais precisa...

Naiara fez uma pausa milimétrica, deixando as palavras afundarem no rosto tenso de Fausto.

— Você não passa de um cão de guarda da família Âncora.

Surpreendentemente, não houve a explosão de fúria que qualquer um esperaria. Apenas um silêncio quase mórbido. Fausto estava imóvel no sofá, como se a história contada não fosse a dele, mas sim o roteiro trágico de um estranho, e ele, apenas um espectador impotente.

Ela suspirou de leve.

— Você ama a Isabella mais do que tudo, mas sempre foi rejeitado e avisado pelos seus pais adotivos para não cruzar a linha. No fundo da alma deles, eles olham para você com asco. E você sabe disso. Por isso fechou o próprio coração. Suas emoções anestesiaram. Você sente dor, mas não grita. Sente angústia, mas não fala. Está exausto, mas não desabafa. Eles fizeram de você uma ferramenta, e você, pateticamente, aceitou o papel.

— Mas já se perguntou se, em algum momento dessa vida, você gostaria de ser o mestre do próprio destino? De viver a vida que realmente pulsa nas suas veias?

Os olhos apagados de Fausto piscaram repentinamente. Uma faísca tênue brilhou na escuridão de suas pupilas.

— A vida que... pulsa nas minhas veias?

— Sim — Naiara assentiu e sentou-se na cadeira oposta. — Você odeia esse mundo corporativo. Odeia viver de paletó gerenciando reuniões. O que você gosta de verdade... é da velocidade. Corridas de carro, não é?

Fausto arregalou os olhos levemente.

— Como você sabe disso?

Naiara deu um sorriso fugaz.

— Sendo bem franca, eu mandei investigar o seu passado.

Ele soltou um riso sombrio e resignado.

— Você é absurdamente honesta.

— Odeio mentiras. — Ela apoiou os cotovelos nos braços da cadeira, ajeitando-se com classe. Estar trancada num escritório programando nos últimos dias tinha deixado seus ombros tensos. — Soube que você entrou numa competição nacional no passado, em segredo. E levou o troféu de primeiro lugar. Você tem o dom natural para as pistas. Tem agressividade, precisão. Se tivesse continuado, chegaria facilmente aos campeonatos mundiais.

— O grande problema é que ninguém aplaudiu o seu dom. Eles só queriam que você gerenciasse os números da conta bancária dos Âncora. Os seus sonhos nunca importaram para eles.

Fausto apertou a mandíbula. Estar despido metaforicamente daquela forma era insuportável.

Subitamente, ele se levantou. A suavidade havia se extinguido.

— Já perdemos tempo demais com conversa fiada.

Naiara apertou os dedos ao redor do copo que ainda segurava. Quando Fausto chegou perto o suficiente, ela arremessou o copo de vidro no chão. O estrondo estilhaçou o silêncio. Em um movimento fluido e ágil, ela recolheu o maior e mais afiado fragmento de vidro que encontrou e encostou a ponta perfurante diretamente em sua própria jugular.

Fausto travou o passo na hora, pego completamente de surpresa pela ação suicida dela.

— Então foi por isso que me pediu a água... — ele murmurou.

Inteligente. Diabolicamente inteligente. Contudo, um sorriso de desprezo se formou nos lábios dele.

— Você acha que esse teatrinho vai me assustar?

Naiara devolveu o sorriso, sem qualquer pingo de desespero nos olhos.

— Que tal uma aposta?

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