Fausto manteve-se inerte, qualquer traço de hesitação extinto de seu rosto.
— Apostar o quê?
— Aposto que eu tenho a coragem necessária para cortar minha própria garganta agora mesmo.
A voz dele caiu vários graus, ressoando como gelo quebrando.
— Você não tem o mínimo medo da morte?
— Eu tenho! — respondeu Naiara de imediato. Sua felicidade ao lado do marido tinha acabado de começar. Havia um futuro brilhante pela frente. Ela havia prometido a Afonso que envelheceriam juntos. Como não teria medo da morte? — Mas comparado à morte, tenho muito mais pavor de ser desonrada.
Longe de recuar, Naiara deu dois passos em direção a Fausto, o pedaço de vidro ainda afundando contra a pele do próprio pescoço.
— Eu amo meu marido. Nesta vida, o meu corpo e a minha alma pertencem única e exclusivamente a ele. Se você me violentar, conhecendo o amor imensurável que o Afonso tem por mim, eu sei que ele não me culparia. Ele apenas afundaria no próprio desespero e se odiaria eternamente por não ter me protegido.
— Ele não me rejeitaria. Pelo contrário, ele me amaria e me mimaria ainda mais. Mas sou eu quem jamais aceitaria isso! Eu nunca permitiria que meu marido se tornasse motivo de chacota para os outros por minha causa!
Fausto sentiu um nó repentino na garganta. Ele mal conseguia sustentar o olhar diante daqueles olhos cristalinos e ferozes.
— Vocês dois... se amam de verdade.
— Sim! Nós nos amamos de tal forma que valorizamos a vida do outro acima da nossa própria!
Possesso por uma teimosia relutante, Fausto tentou encurtar a distância, esticando o braço para desarmá-la. Mas, antes mesmo que seus dedos a tocassem, Naiara deu um passo brusco para trás. A lâmina improvisada de vidro rasgou sua pele num movimento rápido.
O corte não atingiu a artéria, mas o sangue carmesim começou a brotar imediatamente, manchando sua pele clara. Devia estar doendo muito. Mas a mulher à sua frente nem sequer piscou. Nenhuma lágrima, nenhum gemido.
Fausto, de repente, perdeu a coragem de pagar para ver. Aquela mulher não temia nada. Ela tinha ousadia para falar, para agir, para apostar e não hesitaria em dar a própria vida! Num baque amargo de constatação, ele percebeu que o seu espírito era infinitamente menor do que o daquela mulher.
Pela primeira vez na vida, Fausto conheceu o gosto do puro e absoluto fracasso. E, ironicamente, era um sentimento estimulante. Era como se as correntes invisíveis que prendiam o seu coração morto tivessem se arrebentado, fazendo o órgão voltar a bater.
Ele baixou as mãos e recuou até o sofá.
— Pode ir embora.
— Esta casa — disse ele —, ninguém sabe da existência dela, além de mim e de alguns capangas de extrema confiança. Nem mesmo a Isabella.
Ele abriu os olhos.
— É um local no meio do nada. Você não vai saber o caminho e jamais conseguirá um táxi aqui. Eu vou levá-la até onde possa conseguir uma carona.
Ela hesitou, mas aceitou.
— Obrigada.
— Me dê um segundo.
Naiara esperou no lado de fora. Em poucos minutos, Fausto apareceu de roupas trocadas. Quando começaram a andar, Naiara finalmente entendeu onde estava. O lugar era recluso nas montanhas. A paisagem era belíssima, mas o isolamento era brutal.
Eles entraram no carro, e nenhum dos dois disse uma palavra. Cerca de dez minutos depois, Fausto parou o veículo em uma via expressa mais movimentada, onde o sinal de celular voltava e a civilização aparecia.
Naiara desceu do carro, mas, em vez de seguir em frente, contornou o veículo e bateu de leve no vidro do motorista. Fausto não abaixou o vidro; ele destrancou a porta e saiu para encará-la cara a cara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...