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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1151

— Para tentar compensar o que aconteceu hoje... Quero te dar um aviso — começou Fausto, a voz neutra, mas carregada de urgência.

— Diga — respondeu Naiara, atenta.

— Avise o Afonso para tomar extremo cuidado em Porto das Estrelas.

Naiara captou imediatamente a gravidade oculta por trás daquelas palavras, mas não o pressionou. Se aquilo envolvia as maquinações de Ricardo Âncora, Fausto jamais daria os detalhes. O fato de ele ter chegado a fazer o alerta já era um milagre.

Ela engoliu a onda de ansiedade pelo marido e retribuiu com um sorriso suave e refinado.

— Se algum dia você resolver tomar as rédeas da sua própria vida... me ligue.

— Por que eu te ligaria? — Ele franziu a testa.

— Por mera coincidência do destino, eu conheço uma lenda viva no mundo do automobilismo. Eu posso apresentá-los. Com o apadrinhamento dele, o seu caminho até as pistas internacionais seria muito mais fácil.

Fausto não respondeu. Ele apenas ficou ali, observando a figura esguia se afastar com elegância. Naiara não olhou para trás nem por um segundo; seus passos eram de uma precisão cirúrgica, exalando uma firmeza e confiança que apenas os verdadeiramente donos de si possuíam, aumentando cada vez mais a distância entre eles.

Fausto sentiu um amargor nostálgico no peito. Uma inveja profunda. Como devia ser glorioso viver de forma tão implacável e ser dono das próprias escolhas.

Ele suspirou, virando as costas e estendendo a mão para abrir a porta do carro. Foi então que, pelo canto do olho, um clarão violento rasgou a rua. Um carro vinha cortando o vento em uma aceleração insana.

E ele reconheceu o veículo. Aquele carro pertencia a...

O carro estava indo a toda a velocidade. O alvo era claro. Direto contra Naiara!

O coração de Fausto parou no peito. O instinto gritou mais alto que a razão, e suas pernas se moveram antes que o seu cérebro processasse a ação. Ele disparou na direção da mulher.

Com um empurrão violento, ele atirou Naiara longe. Ela rolou pelo asfalto, o impacto rasgando sua pele. No segundo seguinte, o som ensurdecedor de carne e ossos sendo triturados por metal dominou o ambiente.

Ela olhou para trás. E a sua alma congelou.

Até quando ameaçada de abuso. Até com um pedaço afiado de vidro enterrado no próprio pescoço. Em momento algum ela havia sentido pânico.

O carro perseguidor freou de forma agressiva logo atrás, bloqueando sua rota de fuga. Pelo vidro do motorista do veículo inimigo, Naiara finalmente enxergou os olhos banhados de fúria e loucura de quem a estava caçando.

Helena Âncora.

Naiara compreendeu tudo no mesmo instante. Todo o sequestro e o quase estupro orquestrados por Fausto foram frutos das ameaças da matriarca. Mas Helena era paranoica; desconfiada de que seu fantoche pudesse fraquejar no meio do caminho, veio verificar com os próprios olhos.

E ela viu o que mais temia. Fausto havia desistido. E ao flagrar o filho adotivo poupando a vida de Naiara e acompanhando-a para fora do cativeiro em segurança, a sanidade de Helena ruiu completamente.

Ela lembrou de sua filha arruinada. Lembrou-se das fotos humilhantes. Lembrou da traição do filho que ela moldou. E lembrou-se do seu próprio império que logo se tornaria pó.

A histeria de Helena atingiu o ponto sem volta. Tudo, toda a desgraça de sua família, era culpa de uma única pessoa: Naiara Jasmim. Já que o cão de guarda não conseguia morder, a própria dona o faria com os próprios dentes!

Os dois carros estavam frente a frente, roncando como feras prestes a iniciar um duelo mortal.

Naiara cravou os dedos no volante até os nós ficarem brancos. Ela não podia cometer meio milímetro de erro. Se fraquejasse ou tomasse a decisão errada naqueles décimos de segundo, ela e o carro seriam lançados direto para as pedras do abismo.

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