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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1170

O breu do anoitecer envolvia todo o escritório, deixando o ambiente denso e obscuro. Apenas o abajur sobre a mesa emitia um feixe de luz fragmentado.

Sentado na cadeira de madeira, o homem, já de certa idade, mantinha as costas retas como uma tábua. Suas sobrancelhas estavam profundamente franzidas, e a aura ao seu redor exalava uma frieza impiedosa.

Isabella pisava leve, com o coração na boca, e murmurou:

— Pai.

As feições duras de Ricardo pareceram relaxar de propósito.

— Aonde você foi até uma hora dessas?

— Eu...

Ela não podia contar a verdade.

Se o pai soubesse que ela fora se ajoelhar e implorar piedade a Henrique Xavier, ele teria um ataque de fúria.

As famílias Xavier e Âncora mantinham uma paz de fachada, mas, nos bastidores, a guerra já havia começado.

— Eu estava me sentindo mal, então fui dar uma volta.

Ricardo acendeu a luz principal do teto.

O ambiente iluminou-se num piscar de olhos.

— Seu irmão entrou em contato?

Isabella balançou a cabeça, triste.

— Não.

A expressão de Ricardo oscilou antes de voltar à calmaria implacável de sempre.

— Venha cá, Isabella. Preciso falar com você.

Ela olhou para ele, com medo de se aproximar.

Percebendo que sua carranca a assustava, Ricardo suavizou a voz.

— Eu ando de cabeça quente ultimamente e acabei te negligenciando. O papai pede desculpas.

Quanto mais ele agia assim, mais Isabella ficava apavorada.

Ricardo sempre fora carinhoso com ela.

Mas nunca, jamais, havia pedido desculpas.

Ela andou até ele e sentou-se ao seu lado.

Ricardo pegou a mão dela.

— Isabella, eu não acabei de falar que precisamos pensar no bem maior da família? Você não ouviu?

Isabella engoliu a raiva que subia pela garganta e tentou apelar para a razão.

— Pai, você sabe do estado de saúde dela. Se virarmos as costas agora, ela vai desmoronar por completo.

— Pai, não podemos fazer isso. Nós somos uma família. Aconteça o que acontecer, temos que ficar unidos.

— Pai...

— Cale a boca! — A paciência de Ricardo tinha limite. — Você é muito ingênua!

— A cidade inteira de Rio Belo já sabe! Sua mãe tentou atropelar a nora da família Xavier!

— Todo mundo sabe que ela fez isso por vingança, que queria levar alguém pro túmulo junto com ela!

— Se Naiara fosse uma zé-ninguém, eu resolveria isso num estalar de dedos. Mas ela não é! Além de nora dos Xavier, ela é protegida diretamente pelo Comando Militar do Sul!

— Se agirmos por impulso agora, todo o império que a família Âncora construiu com suor e sangue nesta cidade será destruído da noite para o dia!

Isabella não era burra. Ela compreendia a lógica por trás daquilo.

Era o clássico embate entre a moralidade e a realidade nua e crua.

Lavar as mãos, jogar toda a culpa nas costas da mãe, e declarar à imprensa que ela havia agido por conta própria, eximindo o restante da família.

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