Essa seria, sem dúvida, a saída mais estratégica para os Âncora.
Mas, emocionalmente, Isabella não conseguia engolir aquilo.
Era a mãe dela.
A mulher que a mimara e a protegera a vida inteira.
Como ela poderia ser tão cruel?
Ricardo não tinha paciência para mais lições de moral.
— O assunto está encerrado. Por enquanto, você vai ficar trancada em casa. Não sairá para lugar nenhum. Eu cuidarei da situação da sua mãe.
O olhar de Isabella escureceu, e seu coração foi fatiado em mil pedaços.
— Vai me prender de novo, pai?
Ricardo ergueu a mão e afagou a nuca dela.
— Não estou te prendendo. Você é muito ingênua, não conhece a maldade do mundo. Estou fazendo isso para te proteger. Não quero que ninguém se aproveite de você.
O rumo da conversa foi rapidamente levado para um tópico ainda mais sensível.
— Já não bastou a humilhação que você passou da última vez?
O maior pesadelo dela se concretizou.
O pai sabia.
As memórias daquela noite humilhante voltaram como um choque à mente de Isabella.
Ela queria chorar, mas as lágrimas não saíam.
Queria odiar, mas já nem sabia contra quem direcionar aquele ódio.
Odiar Afonso?
Mas fora ela quem arquitetara o plano contra ele em primeiro lugar.
Ou odiar Vitor Xavier, aquele canalha imundo!
Contra todas as expectativas, Ricardo não explodiu, nem a repreendeu. Seu silêncio era tão antinatural que a aterrorizava.
Isabella sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem.
Naquele momento, preferia que ele lhe desse uma bronca aos gritos.
Aquela calmaria só podia significar algo terrível.
Seu favorito sempre foi o caçula, mas o garoto havia acabado de morrer dentro da boate da família Xavier.
A maior dor de cabeça dele, porém, era o primogênito, Enzo Pinto.
Enzo já passava dos trinta, o retrato perfeito de um filho rebelde e inútil da alta sociedade, fruto de uma criação mimada.
Prestes a nada, passava os dias vadiando, transbordando a arrogância típica de um herdeiro rico que acha que o mundo lhe deve obediência.
Comparado a Vitor Xavier, Enzo era muito, mas muito pior.
Vitor pelo menos só era um mulherengo irresponsável que gostava de arrumar problemas para Afonso resolver.
Mas Enzo era violento.
Escudado pelo dinheiro e pelo poder da família, passava por cima de tudo e de todos.
Corriam boatos de que ele já havia espancado a própria namorada até mandá-la para o hospital.
Certa vez, se envolveu numa briga de rua que tomou proporções desastrosas. O Patriarca Pinto teve que torrar uma fortuna e gastar favores incontáveis para abafar o caso.
Desde então, a família Pinto lavou as mãos em relação a ele. Nenhum evento ou reunião de negócios o incluía.
Enzo havia se tornado o excluído, a ovelha negra escanteada pelo próprio sangue.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
A história foi ótima. Só não gostei da morte da Quitéria. Ela sofreu tanto e quando estava começando a ser feliz, foi assassinada....
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...