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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1180

Porto das Estrelas.

O carro imponente deslizou através dos grandiosos portões de ferro forjado, avançando pelo caminho serpenteante de pedra que cortava os imensos gramados em estilo francês. A brisa da noite trazia a fragrância suave da flora impecável.

Aquela propriedade suntuosa, incrustada no coração de uma reserva florestal privada, pertencia à família Xavier.

Cada folha de relva, cada tijolo, cada pilar... tudo fora concebido e supervisionado rigorosamente por Henrique Xavier.

A alta sociedade sempre soube que o líder da família Xavier, a mais poderosa de Porto das Estrelas, era um homem absurdamente discreto. Seu único luxo e extravagância era aquela mansão.

Mas não porque ele se deslumbrasse com mansões. Aquele palácio era, na verdade, um presente erguido especialmente para a sua falecida esposa.

Lamentavelmente, a sorte da Senhora Xavier fora efêmera, sendo levada por uma morte prematura.

Se não fosse pelo batalhão de mordomos e empregados que mantinham a propriedade operante, o lugar seria um vasto e gélido monumento à solidão.

Assim que o carro parou, um homem da mesma idade que o saudoso Eduardo apressou-se em abrir a porta traseira.

— Patrãozinho.

Afonso desceu do carro, elegante e com postura impecável.

— Sr. Mendes.

O Sr. Mendes era um dos braços direitos leais à família Xavier, assim como o velho Eduardo havia sido.

Eduardo costumava ser o guarda-costas pessoal, seguindo Henrique para todo canto.

Já o Sr. Mendes era o mordomo-chefe que ficava na mansão orquestrando cada detalhe do império doméstico.

Ambos funcionavam perfeitamente: um guardava o exterior, outro dominava o interior.

A esposa do mordomo Mendes havia falecido anos atrás, deixando-lhe apenas uma filha, Mariana.

Depois de formada, Mariana enfrentou seguidas rejeições em entrevistas de emprego. Reconhecendo os anos de serviço impecável e a lealdade canina do mordomo, Henrique moveu seus pauzinhos e colocou a jovem para trabalhar dentro do Grupo Xavier.

Fábio desceu pelo outro lado do veículo.

Mendes não vacilou no protocolo, curvando-se levemente.

— Sr. Fábio.

Fábio sorriu descontraído. — Sr. Mendes, não precisa de tanta cerimônia comigo.

— O jantar já está servido. Patrãozinho, Sr. Fábio, entrem para comer.

O banquete estava digno de reis.

Farto demais, na verdade, considerando que era para apenas duas pessoas.

Afonso mal tocou na comida.

O silêncio do palácio gigantesco lhe pesava. Faltava algo ali.

Fábio, por outro lado, comia com bastante apetite.

— A sensação que dá é que nenhum prato requintado supera a comidinha caseira com a mulher e o filho esperando na sala, né?

Mariana travou.

— Patrãozinho... hoje é fim de semana, vim visitar o meu pai.

Afonso então lembrou-se do arranjo.

Com autorização de seu pai, após todos terem ido para Rio Belo, o Sr. Mendes ficara sozinho cuidando do palácio. A solidão era implacável, então a entrada de Mariana foi permitida para lhe fazer companhia aos fins de semana.

O Sr. Mendes era um poço de gratidão, mas sabia muito bem o seu lugar.

Mesmo quando a filha visitava, ela era orientada a dormir e circular pelos aposentos dos empregados.

Mariana tinha vinte e seis anos e a típica aparência de 'donzela desamparada' que instigava proteção nos outros.

Mas até hoje não havia arrumado um namorado sequer.

Essa era a maior dor de cabeça do pai dela.

Mendes passava o tempo filtrando pretendentes respeitáveis, mas a filha rejeitava todos.

Ela sempre dava a desculpa de que seu foco, por ora, era unicamente o trabalho.

Sendo ela filha do mordomo, Afonso tolerou a interrupção.

— Vá chamar o Sr. Mendes para se sentar e comer com a gente.

— Meu pai sempre diz que patrão é patrão e empregado é empregado — respondeu Mariana, com voz suave. — E que jamais deveríamos nos sentar à mesma mesa.

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