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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 1190

As razões para o sequestro eram mais do que óbvias. Ela sequer precisava perguntar.

Era pura e simples vingança.

Helena Âncora jamais aceitaria que Naiara tivesse escapado ilesa da última emboscada.

A história do agravamento súbito do estado de saúde e a transferência para a UTI deviam ser, no mínimo, metade verdade, metade encenação. Para Helena, morrer sem antes destruir Naiara era inconcebível.

Por isso, Naiara compreendia perfeitamente: Helena não a chamou ali para conversar.

Helena queria sua vida.

Se ela fosse, corria risco de morte.

Se não fosse, Natália seria morta.

Acionar a polícia...

Helena já havia bloqueado essa saída.

— Pode chamar a polícia, fique à vontade. Eu já não tenho mais nada a perder — sibilou Helena ao telefone. — Mas você deveria pensar no bem-estar dessa criatura aqui. A vida dela está na palma da minha mão. Se ela morrer por sua culpa, você vai arrastar esse peso pelo resto dos seus dias, não vai?

É claro que sim.

Se um fio de cabelo de Natália fosse arrancado, o remorso engoliria a alma de Naiara.

Ela odiaria a si mesma por ter falhado em protegê-la. Se culparia eternamente por não cumprir a promessa de cuidar da menina para sempre.

A voz de Helena mudou de ritmo, arrastando-se num tom doentio.

— Quer saber? Não precisa mais vir. Pensei melhor, e percebi que a forma mais eficaz de me vingar não é acabar com a sua vida, mas sim...

— Acabar com as pessoas que você ama. Ver quem você ama morrer bem na sua frente causará muito mais agonia do que a sua própria morte. Você é sentimental demais, já perdeu muita gente. O que mais te apavora é a perda. Prefere se machucar, prefere morrer a ver alguém sofrer por você.

— Naiara, me diga. Estou mentindo?

O estômago de Naiara se contraiu dolorosamente.

Helena havia lido sua alma com perfeição. Era a mais pura verdade.

Ela não suportaria testemunhar a morte de mais ninguém à sua volta. A tragédia envolvendo sua mãe biológica quase a esmagara. Se outra vida fosse sacrificada por causa dela, nunca mais conseguiria se perdoar.

De repente, um grito agudo de Natália ecoou pelo alto-falante. O som dilacerou os nervos de Naiara.

— Helena Âncora!

O silêncio entregou a quebra na confiança do outro lado da linha.

— O... o que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que se você se atrever a encostar um dedo na Natália, pagarei na mesma moeda. Tudo o que você fizer a essa criança, eu farei com a sua preciosa Isabella. Se a Natália morrer hoje, a sua filha também não verá o amanhecer.

— Escute bem, Helena — a voz de Naiara era como gelo estilhaçado, pausada e inclemente. — Eu, Naiara Jasmim, cumpro o que prometo.

Helena hesitou pela primeira vez.

— Você não teria coragem!

— Teste para ver.

Naiara desdenhou.

— Eu pertenço à família Xavier. E os Xavier são feitos de aço. Nós não recuamos.

O silêncio do outro lado foi absoluto.

Naiara sabia que Helena já não podia bancar a aposta cega. Porém, ela precisava medir a tensão do barbante; esticar demais poderia romper os nervos de Helena, fazendo com que, num lapso de fúria cega, cometesse uma atrocidade irreparável.

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