As razões para o sequestro eram mais do que óbvias. Ela sequer precisava perguntar.
Era pura e simples vingança.
Helena Âncora jamais aceitaria que Naiara tivesse escapado ilesa da última emboscada.
A história do agravamento súbito do estado de saúde e a transferência para a UTI deviam ser, no mínimo, metade verdade, metade encenação. Para Helena, morrer sem antes destruir Naiara era inconcebível.
Por isso, Naiara compreendia perfeitamente: Helena não a chamou ali para conversar.
Helena queria sua vida.
Se ela fosse, corria risco de morte.
Se não fosse, Natália seria morta.
Acionar a polícia...
Helena já havia bloqueado essa saída.
— Pode chamar a polícia, fique à vontade. Eu já não tenho mais nada a perder — sibilou Helena ao telefone. — Mas você deveria pensar no bem-estar dessa criatura aqui. A vida dela está na palma da minha mão. Se ela morrer por sua culpa, você vai arrastar esse peso pelo resto dos seus dias, não vai?
É claro que sim.
Se um fio de cabelo de Natália fosse arrancado, o remorso engoliria a alma de Naiara.
Ela odiaria a si mesma por ter falhado em protegê-la. Se culparia eternamente por não cumprir a promessa de cuidar da menina para sempre.
A voz de Helena mudou de ritmo, arrastando-se num tom doentio.
— Quer saber? Não precisa mais vir. Pensei melhor, e percebi que a forma mais eficaz de me vingar não é acabar com a sua vida, mas sim...
— Acabar com as pessoas que você ama. Ver quem você ama morrer bem na sua frente causará muito mais agonia do que a sua própria morte. Você é sentimental demais, já perdeu muita gente. O que mais te apavora é a perda. Prefere se machucar, prefere morrer a ver alguém sofrer por você.
— Naiara, me diga. Estou mentindo?
O estômago de Naiara se contraiu dolorosamente.
Helena havia lido sua alma com perfeição. Era a mais pura verdade.
Ela não suportaria testemunhar a morte de mais ninguém à sua volta. A tragédia envolvendo sua mãe biológica quase a esmagara. Se outra vida fosse sacrificada por causa dela, nunca mais conseguiria se perdoar.
De repente, um grito agudo de Natália ecoou pelo alto-falante. O som dilacerou os nervos de Naiara.
— Helena Âncora!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...